Publicado 14 de Outubro de 2015 - 5h30

[CR_TXT_3LINH]De São Paulo[/CR_TXT_3LINH]

As taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas subiram em agosto pelo 12 mês consecutivo e renovaram os maiores patamares desde 2009, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

No caso das pessoas físicas, novamente houve aumento nos juros em todas as seis linhas pesquisadas: juros do comércio (crediário), cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC (para financiamento de veículos) e empréstimo pessoal (tanto em bancos quando nas financeiras).

O juro médio subiu 0,09 ponto percentual em setembro ante agosto, para 7,23% ao mês (ou 131,10% ao ano), o maior nível desde junho de 2009.

No cartão de crédito, a taxa subiu 0,22 ponto, para 13,59% ao mês (inacreditáveis 361,40% ao ano) em setembro, o maior nível desde março de 1996.

Em relação aos juros do comércio (crediário), houve alta em todos os 12 tipos de lojas pesquisadas, com a média geral subindo 0,02 ponto percentual, para 5,32% ao mês (86,26% ao ano). A taxa mais alta foi registrada em Minas Gerais, com 5,42% ao mês (88,40% ao ano). Nos financiamentos de veículos, o prazo médio se manteve em 36 meses.

Pessoas jurídicas

Entre as pessoas jurídicas, houve alta nas três linhas (capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida).

O juro médio avançou 0,03 ponto percentual no mês passado ante o anterior, para 4,12% ao mês (62,33% ao ano), o patamar mais alto desde maio de 2009.

No caso da conta garantida, a taxa subiu 0,04 ponto percentual, para 7,03% ao mês (125,98% ao ano), patamar mais elevado desde outubro de 1999.

Motivos

Segundo a Anefac, as altas podem ser atribuídas a fatores como o cenário macroeconômico, que aumenta o risco de elevação da inadimplência, o avanço das taxas de juros futuras por conta da turbulência política e econômica, a maior carga tributária e o rebaixamento da nota de crédito do País pela agência de rating Standard & Poor’s - este último fator ainda se refletindo no mercado de crédito.

“A tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito continuem a ser elevadas nos próximos meses, dada a falta de perspectiva de melhoras na economia”, diz a entidade.

A Anefac lembrou ainda que, considerando todas as elevações da Selic promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, houve um aumento de 7 pontos percentuais (ou alta de 96,55%) na taxa básica de juros, para o nível atual de 14,25%.

No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 43,13 ponto percentual e, para a pessoa jurídica, de 18,75 ponto percentual. (Da Agência Estado)