Publicado 14 de Outubro de 2015 - 5h30

Quem ficou assustado com os preços nas bombas depois da última alta da gasolina em setembro pode ir se preparando para levar mais um choque - desta vez, por conta do álcool.

Os produtores de etanol vêm mantendo a pressão de alta e novos reajustes devem acontecer nos postos esta semana. Os revendedores estimam pelo menos R$ 0,10 a mais no valor do litro de gasolina (por conta da mistura com o etanol) - mesmo valor que deve ser adicionado ao álcool nos próximos dias. O preço médio da gasolina em Campinas está em R$ 3,399 e do etanol em R$ 2,299.

Análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (USP) apontou que os preços do etanol estão em alta nas usinas há sete semanas consecutivas (no caso do hidratado) e há seis (no anidro).

Segundo o Cepea, o grande volume de negócios antes do feriado foi um dos fatores que ajudaram a manter a pressão nos preços na última semana. Entre os dias 5 e 9 de outubro, o custo médio do litro do etanol hidratado no Estado de São Paulo ficou em R$ 1,521 (sem impostos), valor 4,2% superior aos da semana anterior (28 de setembro a 2 de outubro).

Contudo, os dados do Cepea mostraram que, no período de julho a setembro (pico da safra), as cotações médias da temporada 2015/2016 estiveram menores do que a média de 2014 na comparação dos valores deflacionados pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) de setembro de 2015. Segundo o Centro, o recuo no preço do hidratado foi de 6,8% e do anidro de 9,2%.

Além da alta de preços, o mercado de combustíveis também sente falta do produto. Ontem, a reportagem da Agência Anhanguera de Notícias (AAN) percorreu postos de Campinas e ouviu de revendedores que está difícil encontrar etanol nas distribuidoras.

É um efeito dos recentes reajustes da gasolina, que fez com que os motoristas migrassem para o álcool na hora de abastecer. Os donos de postos acreditam que esse aumento na demanda tenha provocado uma queda nos estoques. As distribuidoras, contudo, garantem que não há escassez do produto e que o mercado está sendo atendido normalmente.