Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

Algumas coisas que vejo acontecerem na nossa (des)política econômica me fazem realmente corar de vergonha - não de ser brasileiro, mas de ver o meu País entregue a uma manada de antas incapazes do mais básico pragmatismo. Gente que prefere ficar defendendo ideias esquerdistas que já foram enterradas e viraram pó há décadas mesmo onde foram tentadas.

Não, eu não sou absolutamente contra a esquerda. Sou contra é essa “esquerda latinoamericana”, essa coisa tosca que mistura ideologia mentirosa com o populismo mais barato, e que só serve para arrasar o pouco que temos para ser arrasado de maneira incansável.

Sou contra essa esquerda que gera criaturas como um Hugo Chávez e um Nicolás Maduro, e subcriaturas como Cristina Kitchner, Lula, Dilma Rousseff e outros que tais.

Gente que ainda acredita que os Estados Unidos são o inimigo, que o estatismo é saudável, que o empresário é um vilão, que os ricos são todos canalhas (menos eles, claro - o Grande Molusco, por exemplo, tem hoje até um triplex na praia, e com direito a varanda gourmet - mas aí não faz mal).

Gente que acha que interferir nos processos econômicos é uma ideia brilhante, que calar os opositores, mesmo que à força, é natural, porque os opositores não entendem que eles são os sacrossantos defensores do “povo” (sendo o “povo”, antes de tudo, eles próprios e seus amigos, companheiros e asseclas).

Gente que acredita mais no seu partido político do que no seu país. Gente que nos faz regredir décadas no tempo, nos roubando muito mais do que dinheiro - porque dinheiro, afinal, se recupera - mas desenvolvimento, crescimento, conhecimento e toda uma série de outras coisas não tão tangíveis quanto o papel-moeda, mas absolutamente essenciais para qualquer país que deseje, de fato, evoluir.

Gente que, em nome de suas crenças ultrapassadas, nos prendem a um acordo comercial patético com nossos não menos patéticos pares latinoamericanos. Gente que nos faz perder a chance de entrar no jogo dos grandes porque temos que defender nosso “sangue latino” dos “malvados imperialistas”. É essa gente e esse discurso que me enojam. É essa postura burra, que me arrasta contra a vontade, que me desespera.

Porque vejo o mundo dando passos gigantescos, enquanto ficamos aqui parados, não apenas perdendo tempo, mas andando para trás.

O último desses passos foi anunciado no início da semana passada, com a criação da Parceria Transpacífica, o maior acordo comercial da história que uniu num mesmo bloco 12 países que representam nada menos que 40% do PIB mundial - e do qual, naturalmente, o Brasil ficou de fora.

E ficou de fora não porque não tivesse capacidade econômica de integrá-la, ou porque não tivesse o que oferecer para vender nem recursos com os quais comprar. Ficou de fora porque seu governo prefere priorizar uma estupidez chamada Mercosul, que não serve para absolutamente nada em termos econômicos, embora seja uma eficientíssima corrente a nos aprisionar como fantasmas do que poderíamos ser - mas que tem um enorme significado ideológico e, portanto, na cabeça dessa gente obtusa, se justifica.

Graças ao Mercosul, ficamos de fora desse novo acordo, que resultará não só na redução de barreiras comerciais, mas também em ganhos em termos de escala, recursos e tecnologia. E isso num momento em que estamos mergulhados numa crise da qual ninguém vê o fim.

Mas o que importa a crise para essa gente? O que importa que o País continue atrasado, isolado, fechado em um protecionismo injustificável, desde que o “ideal do Mercosul” continue? O que importa que nós, brasileiros, sejamos alijados de um processo obviamente benéfico não apenas em termos econômicos, desde que a nossa amada América Latina continue posando de “livre das influências dos imperialistas”?

Os custos dessa postura infeliz serão pagos, como de praxe, por todos nós. Porque, além de não ganharmos novos parceiros comerciais de peso e porte, ainda por cima vamos perder parte dos parcos mercados que temos com os membros do novo bloco econômico - o que é óbvio, porque poderão comprar entre eles por 10 o que vendemos hoje para eles por 20.

Mas não se preocupe, caro leitor: o Mercosul está intacto e negociando com a União Europeia. Há anos.Dando um passo para frente e dois para trás, já que seus membros não conseguem sequer entrar em acordo entre si, quanto mais negociarem juntos com quem quer que seja.

Enfim, foi mais uma oportunidade perdida em nome dessa entidade chamada esquerda latinoamericana - uma coisa que, a cada dia me convenço mais, nasceu da burrice de seus ideólogos combinada com esse Sol inclemente dos Trópicos. Só pdia mesmo dar nessa bananada.