Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

Num momento em que boa parte dos setores sofre com a crise econômica, os segmentos ligados às áreas de inovação ignoram o quadro geral: crescem e contratam.

Dados divulgados pela Agência de Inovação (Inova) da Unicamp ilustram o potencial do setor. A quantidade de “empresas-filhas” da universidade em atividade aumentou 20,6% este ano. São 286 delas, que faturam R$ 3 bilhões e empregam 19,2 mil trabalhadores - crescimento de 16,18% em relação ao ano passado.

A pesquisa mostra também que 52,3% dos sócios dessas empresas-filhas são ou foram alunos de graduação da universidade. Outros 18,66% passaram pela pós-graduação e 3,08% são docentes. Os demais tiveram outros tipos de vínculos com a universidade.

Quase todas elas (93,6%) estão instaladas em cidades do Estado de São Paulo. Campinas lidera, com 67,5%. A Capital fica com 17,1% e outros municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) têm 7,5% das empresas.

Outro dado da pesquisa, que ajuda a explicar ao menos uma parte do cenário positivo das empresas de inovação tecnológica, mostra que 37,86% delas atuam em outros países, com escritórios no Exterior ou exportação de produtos e serviços.

O diretor-executivo da Inova Unicamp, Milton Mori, afirma que em um cenário de crise o desempenho das empresas que nasceram no ambiente da universidade é excepcional.

“O faturamento das empresas ativas subiu de pouco mais de R$ 2 bilhões no ano passado para R$ 3 bilhões neste ano. Os postos de trabalho também aumentaram. E para boa parte delas, a alta do dólar foi muito favorável”.

Mori diz que existe uma cultura no ambiente universitário de incentivo ao empreendedorismo. “A universidade tem ferramentas que fazem a interface com empresas interessadas em investir em pesquisas para geração de novas tecnologias. Há também a incubadora e o parque tecnológico. Existe o incentivo para a criação de novos negócios e ainda um aparato de amparo aos empreendedores”, salienta.

O diretor-executivo da Inova Unicamp afirma que cada área tem uma demanda específica no momento de criar e lançar um novo produto ou serviço. “Há diferenças na estrutura dos negócios e na necessidade que cada um terá de investimentos para desenvolver um produto ou serviço. Áreas como biotecnologia e energia renováveis demandam mais investimentos do que a criação de um aplicativo”, aponta.

Vantagens

O diretor da Griaule Biometrics, Eduardo Felix, conta que sua empresa nasceu em 2002 e se instalou na incubadora da Unicamp (Incamp).

“A universidade foi o ambiente ideal para a estruturação da empresa. Em 2005, a Griaule se graduou e se instalou em uma área própria a universidade. Estar nesse ambiente é importante para ter acesso a toda a inovação gerada na Unicamp, networking e também para buscar mão de obra qualificada”.

Ele diz que a empresa conseguiu um importante contrato no ano passado que deu um forte incremento no faturamento. “Também comercializamos nossos produtos para outros países e pretendemos dobrar a quantidade de funcionários até o próximo ano” (são 25 hoje).

Outro caso de sucesso que nasceu na Unicamp é a Movile, que tem produtos utilizados por milhões de usuários em todo o mundo. A empresa teve crescimento anual de 80% nos últimos cinco anos e deve avançar ao ritmo de 50% ao ano até 2020.