Publicado 11 de Outubro de 2015 - 19h05

O turbante de Nasrudin

Nasrudin apareceu na corte com um magnífico turbante, pedindo dinheiro para caridade.

— Você veio me pedir dinheiro, e está usando um ornamento muito caro na cabeça. Quanto custou esta peça extraordinária? — perguntou o soberano.

— Quinhentas moedas de ouro — respondeu o sábio sufi.

O ministro sussurrou: “É mentira. Nenhum turbante custa esta fortuna”.

Nasrudin insistiu:

— Não vim aqui só para pedir, vim também para negociar. Paguei tanto dinheiro pelo turbante, porque sabia que, em todo o mundo, apenas um soberano seria capaz de comprá-lo por seiscentas moedas, para que eu pudesse dar o lucro aos pobres.

O sultão, lisonjeado, pagou o que Nasrudin pedia. Na saída, o sábio comentou com o ministro:

— Você pode conhecer muito bem o valor de um turbante, mas sou eu quem conhece até onde a vaidade pode levar um homem.

Igual ao casamento

Nasrudin passou o Outono inteiro semeando e preparando seu jardim. As flores se abriram na Primavera — e Nasrudin reparou alguns dentes-de-leão, que não havia plantado.

Nasrudin arrancou-os. Mas o pólen já estava espalhado, e outros tornaram a crescer. Ele procurou um veneno que atingisse apenas os dentes-de-leão. Um técnico disse-lhe que qualquer veneno ia terminar matando as outras flores. Desesperado, pediu ajuda a um jardineiro.

— É igual ao casamento — comentou o jardineiro. — Junto com coisas boas, terminam sempre vindo algumas poucas inconveniências.

— Que faço? — insistiu Nasrudin.

— Nada. Mesmo sendo flores que você não planejou ter, fazem parte do jardim.

Aceitando a compaixão

— Como purificamos o mundo? — perguntou um discípulo.

Ibn al-Husayn respondeu:

— Havia um sheik em Damasco chamado Abu Musa al-Qumasi. Todos o honravam por causa de sua sabedoria, mas ninguém sabia se era um homem bom.

“Certa tarde, um defeito de construção fez com que desabasse a casa onde o sheik vivia com a sua mulher. Os vizinhos, desesperados, começaram a cavar as ruínas; em dado momento, conseguiram localizar a esposa do sheik.”

Ela disse: “Deixem-me. Salvem primeiro o meu marido, que estava sentado mais ou menos ali”.

“Os vizinhos removeram os destroços no lugar indicado, e encontraram o sheik. Este disse: “Deixem-me. Salvem primeiro a minha mulher, que estava deitada mais ou menos ali.”

“Quando alguém age como agiu este casal, está purificando o mundo inteiro”.

Reflexão

Do livro O Caminho da Nobreza Sufi:

“Receba aquele que o procura, e não corra atrás de quem o rejeita: assim, você está criando um laço de harmonia com o seu semelhante.”

“Um noviço não deve ser expulso por causa de suas faltas; ele está fazendo um esforço para melhorar, e isto deve ser apreciado e honrado por todos.”

“Um estranho não deve ser aceito por causa de suas qualidades. Quando vemos alguém muito ansioso para mostrar como é bom e compreensivo, precisamos testá-lo com severidade - porque ele pode ter perdido a humildade. Confie em sua primeira impressão, por mais absurda que pareça.”