Publicado 10 de Outubro de 2015 - 19h05

Quando completou uma semana em cartaz nos cinemas, na última quinta-feira, Vai que Cola - O Filme alcançou a impressionante marca de 1 milhão de espectadores, confirmando a enorme popularidade da franquia iniciada na TV. O longa, por esse motivo, continua de vento em popa nas telonas, com grandes chances de chegar ao fim da segunda semana novamente em primeiro nas bilheterias. E já que o público quer ver Vai que Cola, nada melhor do que aproveitar o sucesso no cinema para estrear na TV a nova temporada. Não que fosse preciso, afinal, estamos falando da mais bem-sucedida série brasileira dos canais pagos.

O 3 ano chega ao Multishow no dia 19, às 22h30, com 40 episódios inéditos, tendo como grande novidade um cenário novo: a borracharia do motoboy paulista Sanderson (Marcelo Médici). Exatamente por isso, o ator, que até então fazia participações na série, estará mais presente em 2015, colocando um pouco de São Paulo nesta casa extremamente carioca.

Marcelo Médici conversou com o Caderno C sobre o programa, além de outros projetos na TV aberta e no teatro, como sua peça Cada Dois Com Seus Pobrema e a escalação no remake de Sassaricando, Haja Coração, da Globo. Isso, sem esquecer que Médici também fará uma participação no especial sobre a Escolinha do Professor Raimundo do canal Viva, previsto para estrear no próximo mês.

Caderno C — O Sanderson vem com tudo na 3 temporada. Isso se deu graças ao sucesso dele nos anos anteriores?

Marcelo Médici — Para ser muito sincero, quando eu fui chamado para fazer o Vai que Cola, o programa já era um baita sucesso. Voltei para a 2 temporada e teve um aumento ainda mais significativo, o dobro de audiência. Só que, evidentemente, não foi a minha entrada (risos). O programa se solidificou, as pessoas conheceram e gostaram mais, e o sucesso é uma consequência natural. O fato é que o programa é simples, um tipo de humor que agrada. Quando o assunto é humor, eu digo que é muito difícil alguém conseguir inventar a roda. Tudo que é engraçado já meio que foi feito, então a questão é conseguir atualizar esse humor. O estilo do Vai que Cola é conhecido, foi feito pela primeira vez na Família Trapo e depois veio o Sai de Baixo. Eu acho que o sucesso vem da contemporaneidade do programa, do elenco.

Você acredita que o sucesso no cinema vai ajudar ainda mais na TV?

Ninguém nunca teve dúvidas de que o filme seria um sucesso, porque impressiona o quanto o público gosta da série. Quando eu fiz a temporada, a popularidade me chocou. Eu já fiz novela das nove que dava 45 pontos de audiência, e mesmo assim, se deparar com tamanho sucesso, algo que a gente percebe nas ruas, o approach do público, a forma como as pessoas falam com a gente, assustou.

O Sanderson pode não ser o motivo do sucesso, mas a renovação dos personagens é a melhor forma de manter a série fresca?

Sim, é possível, mas há várias participações no show. Eu fiz 14 episódios este ano, não os 40. Eles queriam 20, mas não deu por pura falta de tempo por conta do meu espetáculo no teatro. As sessões são no dia das gravações do programa. Mas modéstia à parte, o Sanderson coube muito bem na pensão. E isso é engraçado porque é um personagem paulista num programa super carioca. Quando assisti pela primeira vez, confesso que, para mim, que sou paulista, me causou um ruído, um distanciamento, embora eu me divida entre as duas cidades e nada daquilo seja uma novidade para mim. Mas mesmo sendo muito carioca, é humor, é universal.

Falando em teatro, você estreou há pouco tempo em São Paulo o Cada Dois Com Seus Pobrema, dando continuidade ao extremamente bem-sucedido Cada Um Com Seus Pobrema. Como tem sido e pretende sair em turnê?

Você sabe que nós atores somos totalmente operários, e chegou um momento agora na minha vida, graças a Deus, aliás, que a gente tem que optar por algumas coisas, porque é impossível conciliar tudo. Não dá para fazer uma turnê com uma novela, ou mesmo uma temporada em São Paulo. Televisão te consome, os horários são extensos, então eu fico com o espetáculo até novembro e aí começo a gravar Haja Coração. E, antes disso, faço uma participação no especial da Escolinha do Professor Raimundo. Então é muita coisa.

O que você pode contar sobre o especial?

Cara, pintou esse convite e eu achei um máximo. São sete episódios, o Bruno Mazzeo vai ser o professor Raimundo e um super elenco vai viver personagens emblemáticos. Todos os comediantes que você possa imaginar da atualidade vão fazer essa grande homenagem à Escolinha que foi, literalmente, uma escola para quem faz humor. Poder prestar essa homenagem é incrível. Vai ser rápido, gravamos em uma semana, e depois volto para a peça. Ou seja, a agenda é louca. Não dá para viajar, mas ainda bem que Campinas é pertinho e a galera pode vir para São Paulo ver o espetáculo (risos).

Quem você vai ser no especial?

O Baltazar da Rocha, que era feito brilhantemente pelo Walter D’ávila. O especial vai passar primeiro no Viva e, depois, na Globo. É uma brincadeira, claro, mas estou muito feliz de participar por saber que é uma pura homenagem. Sem dúvida, vai ser uma delícia estar ali.

E sobre Haja Coração, o que pode adiantar sobre esse remake tão aguardado? Já sabemos que fará par com a Cláudia Jimenez, será irmão do Alexandre Borges. O que mais?

Eu lembro da primeira versão e, claro, a novela teve que passar por muitas modificações porque os tempos são outros, desde número de personagens até de capítulos. O que eu sei e posso dizer é que serei o marido da Cláudia Jimenez e essa sensação é hilária. A Cláudia, além de ser uma atriz que eu assistia na Escolinha, fui vê-la no teatro muitas vezes porque sou muito fã. E, para piorar tudo, vou ser pai da Agatha Moreira (risos). Pois é, chegou o dia de fazer um pai. Isso é muito doido na vida da gente, ainda mais nós, atores. Eu não tenho filho, talvez se tivesse seria mais fácil assimilar, mas é muito doido se imaginar pai de uma menina daquela, uma mulher. Eu já tinha achado doido ela ser filha do Rodrigo (Lombardi, em Verdades Secretas), que é meu amigo. E lembro que, na primeira novela que eu fiz (Belíssima), eu tinha 33 anos e o Alexandre Borges foi pai da Paolla Oliveira. O meu personagem se apaixonaria por ela, mas acabou tendo uma mudança no roteiro, enfim... ele veio me perguntar de quem eu seria pai e eu ri e respondi que ainda era núcleo filho. Ele ficou p*** da vida e, agora, somos irmãos e eu tenho uma filha moça. É inevitável chegar nesse ponto.

Sem dúvida, vai ser um núcleo bem engraçado então?

Sim, divertidíssimo. Além da Cláudia e do Alexandre, a casa vai ter Tatá Werneck, Regina Casé, depois entra Cristina Pereira. Eu vou ser o Aprígio, que foi feito pelo Laerte Morrone, e o divertido é que há um mistério em volta dele. Ele é um cara dominado pela mulher, só que depois tem uma virada que, claro, não posso te contar o que é. Aguarde.