Publicado 15 de Outubro de 2015 - 5h30

A iluminação precária e o policiamento insuficiente deixam os vizinhos do parque ecológico Monsenhor Emílio José Salim, em Campinas, vulneráveis a assaltos, principalmente roubos a residências, que estão se tornando cada vez mais comuns na região. Atualmente a segurança no parque é realizada por vigilantes terceirizados e rondas da GM. Quando assumiu a administração do parque, no fim do ano passado, a Prefeitura disse que a prioridade era ampliar a segurança, inclusive com a implantação de uma base comunitária da GM. No entanto, pouca coisa mudou e os moradores pedem à Administração melhorias na iluminação e aumento do policiamento.

Vizinhos do parque afirmam que bandidos aproveitam a escuridão do local e ficam à espreita aguardando a chegada dos moradores para atacar. A cerca do parque ecológico exibe vários buracos feito pelos criminosos para facilitar a entrada e saída no espaço. A Prefeitura diz ter intensificado a ronda no local e planeja até o final do ano colocar um sistema automatizado de segurança.

Uma psicóloga de 71 anos, que pediu para não se identificar, mora em frente à cerca do parque ecológico há mais de 20 anos e passou por momentos de pânico no último sábado. Um assaltante aproveitou o momento em que ela entrava na garagem junto do marido e invadiu sua casa. Ele chegou a entrar em luta corporal com seu marido, um idoso de 74 anos, e fugiu sem levar nada. Mas com medo de o bandido retornar, o casal se refugiou em São Paulo.

“Foi horrível, pavoroso, estou traumatizada até agora. Somos idosos e moramos bem de frente à cerca do parque ecológico. A casa é alta, mas quando chegamos em casa não percebemos que um bandido tinha entrado. Um comparsa não conseguiu entrar e ele agarrou meu marido, bateu muito e tentou enforcá-lo. Na briga ele acabou se machucando e fugiu”, relatou a psicóloga. “Chamamos a polícia, mas disseram que não tinham como fazer nada e não tinha como achá-los”, completou.

A moradora diz que não foi a única da região a sofrer com ação semelhante. Ela reclama da falta de iluminação do parque ecológico e da ausência de policiamento constante não só dentro do parque, mas nas ruas do entorno. “Já aconteceu com meu vizinho do lado e também de outro, que mora em um condomínio e levou até um tiro no assalto. Não temos sossego, o parque fica completamente escuro, os bandidos ficam escondidos e pulam a cerca. É zero o policiamento, a Prefeitura tinha que colocar uma unidade da Guarda”, sugeriu.

Outro lado

O secretário de Segurança Pública de Campinas, Luiz Augusto Baggio, disse desconhecer o aumento das ocorrências de furto e roubos a residências na região. Ainda assim, afirmou que após assumir a administração do parque, a Prefeitura intensificou as rondas no local e planeja instalar até o final do ano um sistema automatizado de segurança semelhante ao existente na Rua 13 de Maio. O equipamento de cinco metros de altura funciona como um totem com seis câmeras de vigilância e um botão de emergência que pode ser acionado por pedestres. Um auto-falante permite ainda que os guardas passem informações para os pedestres.

“Nós estamos fazendo algumas ações dentro do parque. Como o parque melhorou, aumentou a frequência, por isso aumentamos as rondas. Temos o projeto de implantar um totem ostensivo e câmeras que vão funcionar em conjunto, em no máximo 30 dias. Estamos de olho lá”, disse. Sobre a implantação de uma base da GM, Baggio afirmou ser inviável, porque já existe uma base próxima, em frente à entrada da Hípica. A respeito da iluminação, a Secretaria de Serviços Públicos da Prefeitura informou que o parque recebe manutenção periódica, e ontem mesmo foram realizadas várias trocas de lâmpadas. A pasta informou que ao assumir a administração do espaço a Prefeitura fez uma reforma na cerca, e fará uma nova vistoria no local.

‘Todas as casas ficam vulneráveis’

A psicóloga de 71 anos vítima de assalto no último sábado fez um desabafo sobre o caso ao Correio. “Fui assaltada ao entrar em minha casa. Com muita violência, entraram nos surpreendendo na chegada, ferindo seriamente meu marido. Por uma sorte grande ou pela divina providência, um fator surpresa impediu que as consequências tivessem sido mais graves e tiveram de fugir. Não fosse isso, não sei o que teria sido de nós. Todas aquelas casas que margeiam o parque ficam terrivelmente vulneráveis e seus moradores não podem contar com nenhum minuto de lazer despreocupado. Muitos de nós, para ter o privilégio de viver em frente a tão lindo parque, empenharam anos de trabalho e sacrifício em suas vidas. E agora, não podemos contar sequer com a proteção de uma unidade móvel de polícia. As autoridades precisam tomar consciência de que estamos à mercê de criminosos de alta periculosidade que aproveitam o fator surpresa que o parque facilita e propicia para cometer assaltos violentos, alguns bastante graves. Por favor, isto não pode continuar desta forma. O parque não tem iluminação nas partes que o delimitam do bairro. Como podemos viver sem o pavor de sermos presos de delinquentes que desejam a todo custo nos assaltar? Que as autoridades policiais tenham compaixão de nós e tentem alguma solução, pois haveria plenamente condições de se instalar por lá mesmo, perto da ponte que liga à Av. José Bonifácio para chegar ao shopping Iguatemi, uma unidade móvel de polícia, pois só uma eventual ronda de nada serve. Com quem mais podemos contar, senão com a boa vontade do poder público? A quem mais apelar? Por favor, façam alguma coisa!” (BB/AAN)