Publicado 15 de Outubro de 2015 - 5h30

O governo do Estado deverá incorporar à proposta de renovação da outorga do Sistema Cantareira pelo menos duas reivindicações feitas ontem pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) ao Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) para garantir a segurança do abastecimento de Campinas. Além de uma vazão mínima no Rio Atibaia no posto de monitoramento de Valinhos, já proposta pelo Estado, a Sanasa quer garantias de vazões mínimas também nos postos de Atibaia e de Paulínia. Outra reivindicação foi a de constar claramente nas regras as condições em que haverá liberação de água para que as vazões mínimas nos três pontos seja garantida.

O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, disse ontem em Campinas que as sugestões serão avaliadas pela equipe técnica do departamento (que divide a gestão do Cantareira com a Agência Nacional de Águas-ANA). Ele se reuniu na Prefeitura com o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo e técnicos da empresa de abastecimento. Borsari afirmou que a preocupação nas discussões é estabelecer regras para o sistema que garantam a segurança hídrica das bacias do Alto Tietê e dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

ANA e Daee acordaram no início de setembro criar cinco faixas de operação dos reservatórios estabelecendo vazões para a Grande São Paulo e para o PCJ que variam de acordo com o nível das represas. Na faixa 1, por exemplo, quando os reservatórios operarem acima de 85% do volume útil, o PCJ terá 8m3/s e a Sabesp, 33m3/s. Já a última faixa, a 5, será de operação especial, quando os reservatórios estiverem operando abaixo de 20% da capacidade e não será definida vazão específica. O governo do Estado propôs também que, além das faixas, fosse mantida uma vazão constante de 2m3/s dos reservatórios para as Bacias PCJ, com garantia de uma vazão mínima de 12m3/s no Rio Atibaia, em Valinhos. Quando nesse ponto a vazão fosse menor que 12m3/s, seria despachado o que falta dos reservatórios. A ANA rejeitou essa sugestão, mas o Daee acredita que poderá contar com o apoio das bacias hidrográficas na defesa desse modelo de gestão.

Preocupação

O presidente da Sanasa explicou a Borsari que a preocupação em ter uma vazão mínima de 10m3/s em Atibaia visa garantir a vazão de 12m3/s em Valinhos. Já em Paulínia, onde a empresa também sugeriu 10m3/s, a preocupação é evitar que Campinas tenha que reduzir a captação de água nos períodos de seca. Os gestores do Sistema Cantareira utilizam o posto de monitoramento em Paulínia para definir o momento em que regras de restrição começam a valer. Nas regras atuais, sempre que o Rio Atibaia registrar vazão abaixo de 3,5m3/s, cidades do Baixo Atibaia, como Campinas, terão que reduzir a captação em 20% e indústrias e agricultura, em 30%.

Grande SP tenta mais autonomia para ‘retirar’ água

A Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) quer ter mais autonomia no uso da água do Sistema Cantareira, a partir da renovação da outorga. A empresa, que abastece a Grande São Paulo, busca ter direito a um percentual do volume de água que entra nos reservatórios pelos rios e chuva e poder usar da forma que melhor entender. Quando não precisar de toda a água a que tem direito, tiraria menos e ficaria uma poupança nos reservatórios para quando precisasse de um volume acima do autorizado. O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, evitou comentar a proposta ontem e disse que é um modelo interessante mas que, no momento, a preocupação é estabelecer uma proposta para as duas bacias e para a gestão do sistema, que garanta a segurança hídrica. (MTC/AAN)