Publicado 15 de Outubro de 2015 - 5h30

Em 1988 o Brasil não tinha reeleição. E, naquele tempo, tinha uma lei que impedia culpar um ex-presidente da República por erros anteriormente cometidos. Ele se safava, o ex-presidente, portanto, das ditas falcatruas que havia cometido. Essa lei ainda vigora no País embora tenhamos reeleição para presidente, essa obra asnática criada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso que, ao sabor de famintos aliados, conseguiu a lei que o aprovasse para concorrer a um segundo mandato, o que ele conseguiu e, assim, momentaneamente, barrar a subida de Lula à rampa do Planalto.

Os tempos são outros e Dilma Rousseff, após oito anos de mensalões do seu inimputável padrinho Lula da Silva está sendo acusada de improbidades administrativas, as ditas "pedaladas fiscais" que, a meu ver, não passam de "pedaladas políticas", pois, segundo o Tribunal de Contas da União (que rejeitou suas contas por unanimidade: 9 a 0), ela as deu para engordar o seu cacife eleitoral em 2014: usou quase uma centena de bilhões de reais dos bancos públicos para bancar os ditos programas sociais petistas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, o que é terminantemente proibido pela Lei 1.079 (de 1950!), mais tarde definido em Lei de Responsabilidade Fiscal — válida também para estados e municípios.

Dilma Rousseff costuma pedalar a sua "magrela" por algumas ruas de Brasília — e isso é salutar, sem dúvida, para uma senhora que tem de cuidar sobretudo da saúde administrativa do nosso país. Ela até que está bem fisicamente, embora ainda continue falando em mandioca e estocar vento. Quanto ao resto, bem, ela vai pedalando mal: o desemprego, os inadimplentes, a inflação, o dólar, a falência de empresas, a fuga de investimentos e a sua impopularidade vão engordando a cada dia.

Ela poderia renunciar e ir pedalar (até que a esquecessem) em qualquer lugar da Europa, visto que por aqui ela não teria sossego. Mas não: ela acha que as suas pedaladas fiscais do primeiro mandato não têm nada a ver com o seu segundo governo. O problema é que as velhas pedaladas fiscais continuaram no seu segundo mandato. Aliás, o próprio Lula as confessou quando discursou, dias atrás, no Primeiro Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores: "Agora, estou vendo a Dilma ser atacada pelas pedaladas. Não conheço o processo, não li. A Dilma, em algum momento, ela tenha deixado de repassar dinheiro do Orçamento para a Caixa, não sei, por conta de algumas coisas que ela tinha de pagar e não tinha dinheiro. E qual eram as coisas que ela tinha de pagar? Ela fez as pedaladas para pagar o Bolsa Família. Ela fez as pedaladas para pagar o Minha Casa, Minha Vida".

O raro leitor, tenho certeza, já deve estar sabendo que os ministros do STF Teori Zavaski e Rosa Weber aprovaram liminares petistas para impedir o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de dar prosseguimento ao impeachment presidencial. Eduardo Cunha está sendo acusado de manter contas ilegais no Exterior (e eu acho que ele as têm), mas, até que tudo fique devidamente comprovado ele continua presidente da Câmara e até lá ele tem a prerrogativa constitucional do cargo que ocupa. O que não pode acontecer é o Supremo Tribunal Federal se sobrepor ao Legislativo, ora essa.

O petismo, quando acuado, só faz besteira. E fato é que as pedaladas de Dilma, só no primeiro semestre deste ano, já bateram os 40 bilhões de reais, segundo o procurador Júlio Marcelo de Oliveira. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, vai aguardar o aditamento destes novos dados para dar prosseguimento à ação de impeachment patrocinada pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior e pela advogada e professora de Direito Constitucional da USP Janaína Paschoal. Pois bem: se Dilma não pode, segundo a idiotia jurídica do lulopetismo, ser responsabilizada por "atos estranhos ao exercício de suas funções", como explicar as pedaladas em 2015, hein?

Só fico em dúvida com uma coisa: essa gente petista gosta de panelaço ou de conto da carochinha?

Bom dia.