Publicado 14 de Outubro de 2015 - 5h30

O crescimento mundial pode ser analisado pela observação do histórico de cada sociedade, as condições territoriais, a cultura dominante, o acesso a bens econômicos, a capacidade de auto-organização, os valores predominantes, em respeito às características e ambições de cada grupo. A divisão por países sempre esteve associada a conflitos, predominância de povos, imperialismo colonial, e até mesmo uma esdrúxula partilha do território africano sobre uma mesa, desdenhando questões tribais, culturais, étnicas, de forma a afastar a possibilidade de um consenso.

O resultado de tantas interferências, somadas à dinâmica do desenvolvimento que está longe de promover a equidade, é um mundo em conflito constante, com acentuadas diferenças sociais que estão acima de religiões e aspectos culturais. É ainda incompreensível que a pobreza extrema ainda atinja 702 milhões de pessoas em todo o mundo, sem considerar dados no Oriente Médio e Norte da África, devido aos conflitos e à fragilidade nos principais países daquela região. É, além de grave problema social e econômico, uma questão de consciência imaginar tantas pessoas beirando a morte por falta de recursos muito elementares, como água, comida e atenção médica. Na África Subsaariana, 38% da população vivem em condições inaceitáveis de pobreza. Essa região concentra 80% dos famélicos do mundo.

Segundo relatório do Banco Mundial, a extrema pobreza deve cair pela primeira vez este ano, atingindo menos de 10% da população mundial. No mesmo tom realista, o ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano, o britânico-americano Angus Deaton, dedicou-se a estudar a relação consumo-pobreza, concluiu que a carência no mundo seguirá diminuindo, e sugere políticas econômicas que promovam o bem-estar e reduzam a pobreza (Correio Popular, 13/10, A13).

É importante manter o ânimo de transformações que possam atenuar o sofrimento imposto a tantas pessoas, por tanto tempo, vítimas que podem ter sido de sua própria história, do agreste de seu território e de seus erros ancestrais. As diferenças sempre estarão presentes, não havendo um fator conciliador que promova um grande concerto social entre as nações no sentido de se dividirem espontaneamente as riquezas, até porque não é próprio das ações humanas. Existem várias entidades humanitárias que cuidam de prover um mínimo de atenção e sustento em áreas mais críticas. Mas resultados mais positivos somente se podem esperar quando a consciência das pessoas for plenamente atingida.