Publicado 13 de Outubro de 2015 - 5h30

Imagens de câmeras de segurança de um condomínio localizado no bairro Matão, em Sumaré, mostram uma ação truculenta de policiais militares após confusão com moradores. No vídeo, obtido pelo Correio, é possível ver dois PMs agredindo um homem com socos. O caso aconteceu na última sexta-feira, quando o efetivo policial na área teria sido aumentado, dois dias após a morte de um sargento do 48 Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), assassinado a tiros na Via Anhanguera, na região do Matão. Segundo os condôminos, policiais militares teriam começado a fazer blitze diárias no local, a invadir as casas sem mandado, agredir e xingar as pessoas abordadas. Ainda conforme a comunidade local, as primeiras viaturas chegaram às 22h30 da sexta-feira passada na Rua Eduardo Hoffman e fecharam o comércio informal. A população ficou surpresa com a ação e entrou no condomínio. Minutos mais tarde, um homem foi agredido ao falar com os policiais. As imagens mostram o momento em que o rapaz se aproxima, desarmado. Pelo menos dois policiais o imobilizam e começam a desferir socos. Depois, um deles aplica uma chave de braço. Moradores, desesperados com a situação, se aproximam e tentam conversar com os policiais, mas são dispersados na sequência. Na gravação, a hora marcada é 22h44.Às 22h47, a confusão continua, com pedras e outros objetos sendo lançados. Um policial chega a apontar a arma para dois homens e depois para dentro do condomínio. Uma menina que filmava a ação com um celular foi imobilizada e levada para fora do condomínio. Testemunhas disseram que ela foi agredida com pontapés.O Correio esteve ontem às 13h no local. Na rua, havia pelo menos quatro viaturas e sete policiais fortemente armados com escopetas e submetralhadoras. Cinco moradores, entre eles duas mulheres, mostraram marcas roxas e vergões de supostas agressões que teriam ocorrido nos últimos quatro dias. Pelo menos dois apartamentos têm portas quebradas e marcas de arrombamento. Uma mulher de 62 anos, que também teria tido a casa invadida, disse que um policial apontou a arma para sua neta de 3 anos. “Eles entraram sem mandado, dizendo que eles que mandam aqui. Revistaram a casa toda e me xingaram de velha favelada.”Outras mulheres idosas disseram que são insultadas diariamente pelos policiais quando saem à rua. Os moradores são impedidos de filmar as cenas e, de acordo com eles, cinco aparelhos foram quebrados. Eles também seriam ameaçados de morte. “Eles falam que vão fuzilar todo mundo”, disse um jovem.Uma adolescente com marcas roxas disse que levou socos no braço quando passava pela rua no sábado. As agressões teriam sido feitas por um policial. “Ele me chamou de biscate e começou a me bater.”Polícia

Para a reportagem, os policiais disseram que estão fazendo blitze de rotina no bairro e que as ações não têm relação com a morte do policial. Eles disseram que estão vendo, principalmente, a situação dos veículos dos moradores. Diversos carros foram guinchados ontem. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) foi procurada ontem e informou, em nota, que apura com rigor todas as denúncias de abuso. A pasta também ressaltou “a importância da denúncia à Corregedoria da Polícia Militar ou registro dos fatos em uma delegacia da Polícia Civil para que sejam averiguadas possíveis irregularidades”.

Sargento foi morto em ponto de ônibus

O sargento Carlos Henrique Zatarin de Souza, de 29 anos, foi assassinado com dois tiros na cabeça quando ia trabalhar em Sumaré, na quarta-feira da semana passada. O policial militar, que era lotado no 48 BPM/I, em Sumaré, esperava um ônibus às margens da Rodovia Anhanguera, no ponto do posto Sucão, em Sumaré, quando, ao embarcar no coletivo, foi alvejado pelas costas. Segundo testemunhas, os disparos foram feitos por dois homens, que fugiram levando a arma do PM. O caso aconteceu por volta das 18h27. Ele chegou a ser levado para o Hospital Estadual de Sumaré, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Um suspeito do assassinato foi preso um dia após o crime. Equipes encontraram o homem, identificado como “Touché”, em uma chácara da cidade. De acordo com as investigações, o crime faria parte de um “batizado” da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Para integrar o grupo, ele teria de matar um policial militar. (AAN)