Publicado 13 de Outubro de 2015 - 5h30

Uma megaoperação do Ministério Público Estadual realizada em Indaiatuba na semana passada apreendeu R$ 2,3 milhões em notas de reais, dólares e euros na casa do prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB).

Ele é suspeito de se beneficiar com desapropriações. Os terrenos eram comprados por empresas e outros envolvidos, e depois desapropriados pela Prefeitura por preços até 22 vezes maiores.

Nem mesmo um promotor de Justiça de Urbanismo e Meio Ambiente escapou da operação e seus arquivos foram apreendidos em sua residência com autorização do Tribunal de Justiça.

Em nota divulgada no final da tarde do dia 5 de outubro, disse Reinaldo Nogueira que respeita o Ministério Público e o Poder Judiciário, mas que já teria prestado depoimento ao MP e demonstrado que a Prefeitura adquiriu imóveis por preço abaixo do mercado, não existindo nenhuma desapropriação que tenha trazido prejuízo aos cofres públicos. Disse mais, que os valores encontrados em sua casa são de origem lícita, provenientes de negócios familiares e sem nenhuma relação com sua atuação pública.

Lembro-me que, aqui em Campinas, naquela megaoperação do MP, foram apreendidos no apartamento de Demétrio Vilagra R$ 60 mil e perguntado por que guardava tanto dinheiro em casa, disse que não confiava no sistema bancário.

Demétrio deve estar se sentindo muito pobre diante deste episódio de Reinaldo Nogueira.

Em sua nota, o prefeito nada diz sobre as razões que o levaram a guardar em casa tantos milhões, mas um homem de tamanho sucesso nos negócios familiares não pode ignorar que estamos vivendo um grande momento para os aplicadores de dinheiro no mercado financeiro. Hoje em dia, estão pagando em operações extremamente seguras 8% ao ano e mais a inflação. Assim, se a inflação for de 6,5% ele está perdendo por ano 14,5%, que significa R$ 333 mil reais.

O sucesso nos negócios familiares é tanto que R$ 333 mil não fazem a menor diferença.

Diante do episódio, lembrei-me que até batom na cueca dá para explicar, como dizia o saudoso Oldemário Touguinhó, ícone do jornalismo esportivo no velho Jornal do Brasil.

Bastava contar o seguinte, dizia Oldemário: vinha eu andando pela Avenida Rio Branco, quando surgiu uma anã caminhando em minha direção, no exato instante em que o cinto arrebentou e minha calça caiu, eu tropecei e a anã, com a boca untada de batom, chocou violentamente seus lábios contra minha cueca samba-canção.

Difícil de acreditarem em casa nessa lorota? Claro. Mas, como os políticos, o dono da cueca bandeirosa não está preocupado se vão se fiar em sua balela ou não. E sim marcar posição: as coisas não são o que parecem, mesmo que o rei esteja nu ou com a cueca colorida de batom lilás.