Publicado 12 de Outubro de 2015 - 5h30

Foi com muita festa e música que a delegação de Ribeirão Preto entrou na Escola Municipal Geny Rodrigues, em Campinas, ontem, no último dia das finais estaduais dos Jogos Regionais dos Idosos (Jori). A equipe feminina de vôlei adaptado havia sido medalha de ouro e as “meninas” não se cabiam de tanta alegria — a equipe, nunca ficou em primeiro lugar na competição e foi considerada a zebra do torneio.

O espírito alegre dos atletas de Ribeirão resume os quatro dias dos jogos no município, que teve 3,5 mil competidores de 214 cidades: no Jori, ganhar é apenas a “cereja do bolo” em um evento em que contam mais a confraternização e a alegria de se manter ativo na melhor idade. A campeã no quadro geral dos jogos foi a anfitriã, Campinas, que conseguiu ouro na natação feminina, masculina e na bocha. Piracicaba ficou em segundo lugar.

O secretário de Esportes e Lazer de Campinas, Dario Saadi, explicou que a Prefeitura montou uma força-tarefa para abrigar as delegações. A escolha da cidade-sede dos jogos saiu em setembro e a organização do evento foi em tempo recorde. “A preparação não foi apenas para receber os atletas, mas preparamos bem a equipe da cidade. Tanto que, em 19 anos, é a primeira vez que Campinas é campeã dos jogos”, disse.

Os competidores dessa edição passaram por seletivas para participar dos Jogos Regionais — nas edições anteriores, não havia uma pré-seleção. A Prefeitura ficou responsável por fornecer o alojamento de 3.150 idosos, além dos locais dos jogos. Já o Estado bancou a arbitragem e a alimentação dos competidores. O secretário disse que apesar da “correria”, o resultado do evento foi positivo e as cidades aprovaram a acolhida de Campinas. “Correu tudo muito bem.”

Alojamento

A reportagem esteve em um dos alojamentos, o da Escola Geny Rodrigues, para ver como é a rotina dos atletas da melhor idade. O local tem quadras e áreas ao ar livre. Camas e colchões foram improvisados nas salas de aula, mas ninguém ligou para a falta de privacidade. O ambiente festivo lembra o de jogos universitários.

As atletas da equipe campeã feminina de vôlei treinam juntas há cinco anos. O que era uma brincadeira e uma forma de exercitar foi se tornando coisa séria. Neste ano, foram as vice-campeãs dos jogos regionais em Ribeirão Preto, perdendo para Franca. “Somos a zebra porque não havíamos nem participado dos jogos estaduais ainda. Mas ganhamos os seis jogos em Campinas”, contou Dirceia Ferreira, de 64 anos. Diferentemente do vôlei tradicional, no adaptado as atletas não pulam e podem passar e segurar a bola com as duas mãos.

Mesmo sem ganhar, outros atletas de Ribeirão afirmaram que os jogos são uma forma de divertimento e de conhecer novas pessoas. “A gente adora isso aqui. Nos sentimos adolescentes”, declarou Zoraide Ramos, de 72 anos, da equipe de dança de Ribeirão. Ela contou que a coreografia deste ano se chamou “Serpentes Encantadas” e era “diferente de tudo que havia sido apresentado”. O figurino tinha roupa e maquiagem de cobra, além de passos de dança elaborados. “Infelizmente, ficamos em 15 lugar. Sabíamos que nossa coregrafia neste ano era bem diferente, não sei se os jurados pegaram o espírito”, disse.