Publicado 12 de Outubro de 2015 - 5h30

Mais um exemplo de perversão veio à tona com as acusações envolvendo a alta cúpula da Fifa, entidade máxima do futebol mundial. Seu atual presidente, Joseph Blatter, e o secretário-geral, Jérôme Valcke, que recentemente desfilou pelo Brasil durante a organização da Copa com um discurso arrogante de pregação de seriedade, foram suspensos de suas funções por 90 dias, prazo para novas eleições e entrega dos cargos. No rodo das denúncias, foram punidos os dois principais candidatos ao comando da entidade, Michel Platini, também por 90 dias, e o sul-coreano Chung Moon-jong, que ficará seis anos afastado por tentar comprar votos para que seu país recebesse a Copa do Mundo de 2022 (Correio Popular, 9/10, A19). Não é um retrato animador para uma entidade responsável pela organização dos maiores eventos esportivos mundiais e pelo ditado das normas que deveriam orientar as instâncias inferiores espalhadas por todos os continentes.

São tantas as denúncias de corrupção ao redor de todo o mundo que muitos são levados a crer na condição inata do ser humano de tirar vantagem das situações onde se pode ter alguma forma de poder. Na política e nos costumes brasileiros podem ser identificados inúmeros gestos e disposições que mostram a face onde a retidão moral pode ser questionada. Não faltam exemplos que expõem a face pérfida de pessoas que não suportam exercer alguma tarefa sem tirar vantagens pessoais. É assim com as pessoas e as nações, denunciando uma complexa relação de exploração que é bastante característica e desafia aqueles que pregam e vivenciam a esperança de um mundo de respeito e equidade.

Evidente que existem formas diferentes de lidar com os problemas. Como na política brasileira, não surpreende que o esquema denunciado na Fifa tenha chegado a tal ponto crítico. Há décadas que se denunciam atos de corrupção e o espírito corporativo cuidou de abafar cada escândalo, em nome de uma estabilidade aparente. Não por acaso, podem-se identificar as práticas nefastas na base do futebol, onde não faltam ocorrências de irregularidades e corrupção, em prejuízo de clubes, jogadores, torcedores e do próprio esporte. É saudável que se aprofundem as investigações e que as medidas saneadoras sejam adotadas. Felizmente, começam a ser afastados os principais mentores do esquema, abrindo espaço para uma renovação que, ironicamente, pode começar com um candidato brasileiro, o ex-jogador Zico, que tem como principal bandeira a transparência e democracia para estancar a sangria da corrupção.