Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

A qualidade e as condições do ensino básico oferecidas nas cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão longe do ideal e necessitam de melhorias em estrutura e contratação de profissionais experientes e capacitados. Foi o que apontou o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB), iniciativa do Centro de Liderança Pública com o apoio do Instituto Península, da Fundação Lehmann e da Fundação Roberto Marinho, divulgado na última quarta-feira. A região tem apenas uma cidade entre as 100 com melhores índices do País — Pedreira, na 75 colocação — e sete municípios sequer atingiram a média do índice, que vai de 0 a 10.

O IOEB identifica quanto cada cidade ou Estado contribui para o sucesso educacional dos seus habitantes e engloba toda a educação básica (redes estadual, municipal e privada), assim como todos os moradores em idade escolar, não apenas os que estão na escola.

O IOEB é formado a partir da relação de um conjunto de fatores, com pesos atribuídos a cada um deles. Esses fatores se dividem em dois grupos: insumos e processos educacionais e resultados educacionais. Para chegar ao primeiro indicador são analisados a escolaridade dos professores, número médio de horas aula/dia, experiência dos diretores e taxa de atendimento na educação infantil. Já o indicador de resultados leva em conta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos iniciais e finais do ensino fundamental e a taxa líquida de matrícula do ensino médio.

Para chegar à nota final, os idealizadores observaram a nota de prova, o fluxo — se os alunos estão passando de ano, se têm há vagas para matrícula na educação infantil, e se eles estão completando os ciclos na idade correta. O estudo foi assinado pelos mesmos autores do Ideb: Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa (Inep), e Fabiana de Felicio, ex-Diretora de Estudos Educacionais do Inep.

As três primeiras colocadas no ranking nacional são do Ceará: Sobral (índice de 6,1), Groaíras e Porteiras (ambas com índice de 5,9). Pedreira obteve o melhor resultado entre as 20 cidades da RMC, com índice de 5,4 e na 75 colocação geral. A seguir aparece Nova Odessa, que também obteve nota 5,4, mas fica atrás por causa do peso dos indicadores. Indaiatuba, Jaguariúna e Vinhedo, todas com índice de 5,3, aparecem na sequência.

O pior desempenho da região foi de Santo Antonio de Posse (4,7). Outras seis cidades da RMC não atingiram a média: Artur Nogueira (4,9), Campinas (4,9), Cosmópolis (4,8), Monte Mor (4,9), Sumaré (4,8) e Valinhos (4,9).

Revisão

Para Guilherme do Val Toledo Prado, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada (Gepec), a infraestrutura da educação oferecida atualmente deve ser revista. Segundo ele, é preciso aproximar o educador da comunidade, reduzindo o tamanho das unidades educacionais e dando condições para um trabalho a longo prazo. “Pensar grande em educação não dá certo. Os governos estadual e municipal criam uma estrutura grande que não favorece. Faz-se enormes naves-mãe, escolas-piloto, mas não é isso que os estudos têm mostrado como eficiente. Quanto menor o equipamento público, mais interessante é, porque ele atua próximo à comunidade”, explica. “O binômio reduzir custos para aumentar eficiência não dá certo”, acrescenta.

Para o especialista, outra medida necessária para melhorar as condições do ensino é valorizar os profissionais. “Se tem um sistema que prima pela rotatividade do profissional e não o valoriza para que permaneça naquela unidade escolar, não tem condições da comunidade aprender a dinâmica desses professores”, enfatiza.

Capacitação de professores é destaque

Apesar de ter patinado no resultado

geral do Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB), as cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) se destacaram no quesito que avalia a proporção de docentes com pelo menos o ensino superior completo. Todos os 20 municípios tiveram índice superior à média nacional (8,5) e apenas cinco não atingiram o índice médio do Estado de São Paulo (9,5). O principal destaque foi Nova Odessa, que atingiu índice 10 no quesito. Santa Bárbara d’Oeste chegou a 9,8, enquanto Pedreira, Valinhos e Vinhedo obtiveram índice de 9,7. As únicas cidades abaixo do índice estadual foram Campinas (9,2), Engenheiro Coelho (9,3), Jaguariúna (9,3), Monte Mor (9,2) e Morungaba (9,1).

No entanto, a capacidade dos professores na transmissão do conteúdo é alvo de críticas da desempregada Silvia Regina Nardare, de 51 anos. Ela é mãe de uma menina de 10 anos que estuda na Escola Estadual Dom Barreto, no bairro Ponte Preta, em Campinas. “Os professores precisam ter mais preparo. Todas as escolas estaduais estão precisando melhorar o conteúdo e está faltando o professor se empenhar mais. Os alunos poderiam aprender mais se os professores tivessem mais capacidade”, afirma. Porém, ela avalia como boa a educação e a estrutura oferecida pela escola. “Não acho que o ensino aqui é ruim, pelo contrário. Minha filha estuda aqui desde os seis anos e o desenvolvimento dela é bom”, diz.

Pai de três meninas de 9, 13 e 15 anos que estudam na mesma escola, o lojista José Ribamar, de 40 anos, não tem queixas em relação ao ensino oferecido na unidade.

“A escola é boa, faz três anos que elas estudam aqui e não tenho nada a reclamar. Elas estudavam em outra escola estadual que era bem pior. O único problema é que no ano que vem cada uma vai para uma escola”, lamenta Ribamar, lembrando a reorganização na educação que será realizada pelo governo estadual. (BB/AAN)