Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

O médico clínico-geral Antonio Jofre de Vasconcelos afirma que uma medicação vendida nas farmácias de todo o País tem potencial para por um fim à epidemia de dengue que diversas cidades do País enfrentam, especialmente Campinas, que somente de janeiro a agosto deste ano já registra 64.778 casos e 15 mortes. A Ivermectina, um antiparasitário de amplo espectro, é indicada no tratamento de verminoses e, segundo a indicação farmacológica, tem provável ação nos insetos e crustáceos. Jofre, que atuou como professor de epidemiologia em cursos de pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) durante dez anos, defende que a população de uma cidade ou de um bairro seja medicada no mesmo dia.

Segundo Jofre, a Ivermectina é inofensiva no sangue de animais mamíferos, mas tem ação venenosa em insetos hematófagos, entre eles o mosquito da dengue, o Aedes aegypti. “Se algum inseto hematófago ingerir o sangue da pessoa que tomou Ivermectina ele sofrerá uma reação química completamente diferente da que ocorre no organismo humano e morre”, diz. Para a ação ter efeito, seria necessário que grandes grupos de pessoas, de uma cidade, de um bairro isolado ou de uma vila tomassem o remédio no mesmo dia. “Quem pica são as fêmeas. Se todas as pessoas tomassem no mesmo período, as fêmeas que ingerissem o sangue com a medicação morreriam e não haveria um novo ciclo da doença”, explicou.

A medicação também seria eficiente no combate ao zika vírus e chikungunia, ambos transmitidos pelo Aedes. “Ele tem ação tanto nos insetos, como em vermes, lombrigas, o verme do amarelão, solitária e oncocercoses”, diz. A medicação teria ação no organismo humano por aproximadamente três meses. Jofre defende ainda que o remédio protege contra a febre maculosa, já que tem ação contra aracnídeos. “Na febre maculosa ele protege porque para a pessoa pegar, o carrapato fica grudado na pele durante 6 horas. Se a pessoa tomou ivermectina, o carrapato morre em duas horas e cai”, diz.

Sem sentido

Para o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, a teoria de Jofre não faz sentido. “Internamente, nós já discutimos esse assunto e não tem nada sobre isso. Não tem sentido. Não há nenhum estudo ou sustentação científica. Não é só de humanos que os mosquitos se alimentam. Depois, é inviável do ponto de vista da segurança farmacológica, do ponto de vista prático e econômico dar um medicamento para toda a população de uma cidade ou de um bairro.”