Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

Não são muito alentadoras as notícias que mostram cruamente a situação política e econômica do Brasil, atolado em uma situação em que quase todos os fatores negativos se conjugaram para traçar uma perspectiva tenebrosa para os próximos anos. Já se sabe que os tempos serão difíceis e demandarão muito sacrifício para recompor o pouco de normalidade que se poderia estar gozando com o potencial que o País dispõe para enfrentar adversidades. Os indicadores disponíveis apontam para uma situação que se torna ainda mais dramática quando se avalia que muitos dos problemas poderiam ser antecipados e as medidas saneadoras poderiam ter sido adotadas em tempo.

A perspectiva é um tanto sombria, mas não se pode descartar nesta altura uma leitura realista para que se monte uma estratégia clara de trabalho e de correção de rumos. Na seara política, com todos os percalços, está se configurando um processo de saneamento cujos resultados ainda são imprevisíveis, de consequências que fogem do alcance daqueles que se arriscam a prognosticar uma saída honrosa para o desastre que se instalou a partir de Brasília. Nesse campo, devem prevalecer ainda os atos de compadrio, as manobras dos espertos que se aboletaram no poder, as chicanas jurídicas que permitem o retardamento de decisões, aliados à falta de um consenso que permita uma fase de transição com menos traumas.

Na economia, as questões são mais pragmáticas. Não há como tergiversar sobre a crise que se instalou. Entre tantos diagnósticos, na semana passada a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um diagnóstico bastante pessimista para os próximos anos. Segundo o estudo da entidade, a perspectiva do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015 passou de uma recessão de 1,6% para uma de 2,9% entre julho e outubro, sendo que o PIB Industrial também deve encolher mais que o esperado anteriormente: a projeção passou de -3,8% para -6,1%. O pessimismo também atinge as previsões para a inflação, o índice de desemprego e o déficit das contas públicas (Correio Popular, 9/10, A11).

Diante de tal quadro, mal se podem divisar opções que permitam uma visão otimista para os próximos meses. Mas a economia brasileira é forte e capitaneada por empreendedores que, ao longo da história, deram demonstração de poder e gana de recuperação, fazendo frente aos percalços com competência e determinação. O traçado é ingrato e implica em perdas lastimáveis, mas é possível colocar a locomotiva nos trilhos, basta o governo parar de colocar obstáculos onde não careciam.