Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

Meses atrás, eu acreditava que a presidente Dilma Rousseff não comeria panetone no Palácio da Alvorada. Hoje, não só vai como vai se empanturrar. Segundo a minha nutricionista, ansiedade é o que leva uma pessoa a comer desbragadamente. Dilma Rousseff, portanto, que se cuide: as pedaladas que ela dá em sua bicicleta não queimarão os lipídios que ela acumulou pelas “pedaladas fiscais” que praticou em 2014, usando dinheiro público (o que é proibido por lei) para pagamento de obrigações sociais do governo federal (Minha Casa Minha Vida, PAC, por exemplo).

O Tribunal de Contas da União, devo dizer, ao contrário do que muita gente pensa não é um órgão do governo central e, sim, do Legislativo. E o lulopetismo conseguiu uma proeza e tanto: pela primeira vez na história republicana do País o TCU reprova as contas do governo federal, coisa que não acontecia desde o tempo em que o ditador Getúlio Vargas ascendeu ao poder, em 1937. Getúlio, aliás, assim como José Dirceu, e tantos outros petistas ladrões, é um desses “guerreiro do povo, herói nacional”. Que país, hein?

Dilma, é claro, para evitar tal vexame preferiu acusar o ministro-relator do TCU, Augusto Nardes, de antecipar seu voto contrário à aprovação das contas do governo e escalou o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, para acusá-lo de parcialidade política. Deu tudo errado: Dilma levou oito a zero do TCU. Embora tenha gostado da goleada, ela ainda não aplaca a vergonha que ainda carrego por aqueles sete a um que levamos dos alemães. E bem sei que o raro leitor entendeu o chiste.

Dilma vai comer panetone e rabanada no Palácio do Planalto. E isso parece certo. Mas acho muito difícil ela curtir confetes e serpentinas. Observando o ritual democrático de uma Comissão Processante, Dilma ainda tem 85 dias até que os deputados apurem e julguem suas irresponsáveis pedaladas fiscais e administrativas. Ela poderá, é claro, até lá, usar a sua caneta para agradar aliados descontentes com a sua recente e desastrada minirreforma ministerial, mas, e isso digo eu, resta saber se a caneta presidencial comporta tinta suficiente para comprar tantos interesses.

Mas a fantasia carnavalesca de Dilma Rousseff não depende só dela, da sua vontade de se manter no poder, daquele que ela disse que faria o diabo para nele se manter. Ela depende, sobretudo, do bufão e carnavalesco Lula da Silva. Ele ainda não explicou o que andava fazendo em jatinhos da Odebrecht mundo afora, negociando obras em países africanos que, ao final de tudo, foram financiadas com o nosso dinheiro, com os nossos suados impostos, e muito menos como seus filhos se enriqueceram em poucos anos – e ele mesmo deve explicações a respeito do seu robusto patrimônio. José Dirceu, Delúbio Soares, Vaccari Neto, e sei lá mais quantos larápios petistas já foram condenados e presos por falcatruas com o nosso dinheiro, e cerca de cinquenta vagabundos empresários e políticos, réus confessos, diga-se, estão aguardando suas sentenças.

Dilma Rousseff e Michel Temmer (este, pelo visto, amarrou seu burro em touceira podre) poderão perder seus mandatos e, portanto, quem assumirá a Presidência da República será o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, enrolado em contas internacionais ilegais e acusado de lavagem de dinheiro.

Que país, hein, meu raro leitor? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Mas se a gente se unir nas ruas brasileiras o bicho foge, como bem ficou provado nas recentes mobilizações populares, apartidárias, e naturalmente pacíficas e democráticas. Eles têm a caneta e nós temos panelas. Mas é fato que se tivéssemos o voto distrital magnânimo e um regime parlamentarista nada disso teria acontecido. Lula e Dilma ganhando o pontapé metafórico das ruas brasileiras é um avanço, sem dúvida. Mas o que precisamos mesmo é de uma boa reforma política, voto distrital e parlamentarismo – e repetir nunca é demais. Só assim daremos um pontapé final no traseiro dessa vagabundagem política que se apropriou da nossa República, do nosso dinheiro e, pior que isso, dos nossos sonhos por melhores dias.

Bom dia.