Publicado 10 de Outubro de 2015 - 5h30

Com cerca de 30 ambulâncias no pátio, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Campinas trabalha com apenas cinco veículos por falta de motoristas, segundo denúncia de representantes do Conselho Local de Saúde do Samu. O número mínimo recomendado para a cidade seriam 12 ambulâncias em operação. A falta de funcionários também atinge a área de enfermagem. Além da sobrecarga de trabalho, o déficit de funcionários também expõe a saúde da população que necessita de atendimento. A Secretaria de Saúde de Campinas admite a necessidade de contratação e afirma que até novembro o problema será resolvido.

Desde março do ano passado os funcionários vinham denunciando o que avaliam como “situação de colapso”. Além da falta de recursos humanos e sobrecarga de trabalho, a equipe apontava problemas estruturais, como ambulâncias sucateadas. Conselheiro do Samu, representando os usuários, Cláudio Trombetta afirma que o déficit de motoristas e da equipe de enfermagem se mantém e ele destaca como agravantes a recepção de um grande evento esportivo na cidade — os Jogos Regionais do Idoso (Jori) — e a quebra de três aparelhos de raio X nas unidades de ponto atendimento (PAs) do Centro, do Campo Grande e São José.

De acordo com Trombetta, em reunião realizada ontem pelo conselho foi solicitado oficialmente o número de viaturas e de todo o quadro de funcionários. “Os números nós já sabemos. Só pedimos para oficializar. Hoje a situação se agravou porque o serviço trabalha com cinco ambulâncias, mas precisou disponibilizar uma para os jogos dos idosos, porque em eventos esportivos sempre há probabilidade de ocorrer incidentes. Temos três PAs com aparelhos de raio X quebrados e quando um paciente dessas unidades precisa fazer o exame, muitas vezes o Samu é solicitado para fazer o transporte”, disse.

Ele classificou a situação como crítica e disse que aguarda o prazo de 15 dias para que os dados sejam informados. Com o documento em mãos, ele pretende entrar com uma ação no Ministério Público contra o prefeito e o secretário de Saúde por improbidade administrativa e omissão de socorro.

“É obrigação e dever do governo garantir o serviço de emergência não para uma pessoa, mas para a cidade toda. O SUS (Sistema Único de Saúde) preconiza que Campinas tenha no mínimo dez ambulâncias comuns funcionando e duas unidades de UTI (Unidade de Terapia Intensiva Móvel) e uma cidade desse porte não trabalha nem com metade disso atualmente”, disse.

Secretário

O secretário de Saúde Carmino de Souza afirmou que não faltam médicos, mas admitiu o déficit de enfermeiros e motoristas e garantiu que até novembro começará a convocação de 25 enfermeiros e 43 condutores para o Samu. “Reconhecemos, o prefeito já sabe disso, e já me autorizou a recompor o quadro de motoristas e enfermeiros”, disse. Ele afirmou ainda que a contratação ainda não foi feita porque a Secretaria de Recursos Humanos realiza neste momento a contratação de um número grande de agentes comunitários.

“A porta de entrada da Prefeitura é uma só: a Secretaria de Recursos Humanos. E quando entra um grupo de pessoas ela passa por vários processos, de acolhimento, exame médico. Terminando esse trabalho com os agentes comunitários, a próxima equipe a ser contratada será do Samu”, disse.

Sobre os aparelhos de raio X, o secretário também afirmou que existem aparelhos quebrados, mas que o problema não é apenas com os equipamentos. “É um problema complexo e não é só de equipamento. Os técnicos têm uma demanda de plano de cargos e salários desde 2007 e isso vinha provocando um desânimo da categoria. Há algumas questões que precisam ser corrigidas e nós estamos trabalhando para resolver junto com os técnicos de radiologia e com o sindicato dos trabalhadores do município, de forma colegiada”, afirmou Carmino, que se reuniu esta semana com a categoria.