Publicado 10 de Outubro de 2015 - 5h30

Há mais de 15 anos Campinas vem debatendo a questão da segurança pública, um encargo do Estado, que se mostra insuficiente para proteger os cidadãos e seu patrimônio. Não faltam argumentos, estatísticas, fatos, que demonstram cabalmente a necessidade de se estruturar um aparato policial à altura do crescimento do País e dos índices de violência. Mesmo com o apontamento de resultados positivos em determinados setores, é inegável que o combate à criminalidade é uma luta em desvantagem para policiais, que se acham em condições desafiadoras para que se lhes cobrem ações efetivas e preventivas. Faltam equipamentos, veículos, acomodações, armas e pessoal para que o enfrentamento de bandidos se dê ao menos em condições de igualdade.

Desde o assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, há 14 anos, existe uma intensa mobilização da sociedade campineira, endossada regionalmente, para reivindicar uma estrutura condizente para a Região Metropolitana de Campinas (RMC), que merece atenção especial pela sua dimensão, importância estratégica e relevância, além de ser altamente atraente para a ação de quadrilhas. Neste sentido, algumas conquistas foram feitas, mas ainda resta um quadro de desatenção do governo do Estado. Um exemplo evidente é a instalação da Segunda Delegacia Regional, prometida e que teve o passo inicial na esteira da última eleição. Um imóvel foi alugado e se planejou a instalação da Seccional e a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher e as novas Delegacias de Investigações Gerais (DIG) e Delegacias de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), a um custo de R$ 2,1 milhões em três anos. Passados dois anos, o estado de abandono atual mostra a carência do local, o acúmulo de lixo e entulho, a subutilização da área para atendimento, onde funciona precariamente apenas um plantão policial. O caso foi constatado pelo Ministério Público, que vai apurar omissão do governo estadual nos serviços de segurança da cidade e supostos atos de improbidade administrativa (Correio Popular, 8/10, A5).

Há tempos que o governo do Estado tem mantido um discurso contemporizador em relação à situação da região de Campinas, adiando decisões, omitindo-se em grupos de discussão e deixando de cumprir promessas. Sucessivamente, o que se vê é um interesse eleitoreiro que não se transforma em ação efetiva, duradoura e responsável. Mudam os secretários, o planejamento se esfarela, as promessas se reciclam e a bandidagem agradece.