Publicado 14 de Outubro de 2015 - 5h30

Nada como uma Venezuela pela frente para dar um refresco à Seleção Brasileira. A equipe entrou em campo sob pressão ontem, na Arena Castelão, em Fortaleza, mas a vitória por 3 a 1, a primeira nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia, traz um pouco de tranquilidade ao técnico Dunga e seus comandados. O Brasil novamente esteve longe de empolgar, não cumpriu o desejo de brindar a torcida — o público, aliás, de 38 970 pagantes, decepcionou — com bom futebol. Chegou a levar susto, mas fez a obrigação.

O time até melhorou em relação à desastrosa estreia contra o Chile. Esteve melhor posicionado em campo, pressionou o adversário — muito mais fraco que os chilenos, ressalte-se — e movimentou-se mais. No entanto, terá de evoluir muito para o próximo confronto. Afinal, o adversário do dia 13 de novembro será a Argentina, em Buenos Aires.

Dunga surpreendeu ao escalar o goleiro Alisson no lugar de Jefferson. O goleiro do Botafogo já vinha desagradando ao treinador desde a Copa América e o lance do primeiro gol do Chile na semana passada selou sua sorte. Onze dias depois de completar 23 anos, o goleiro do Internacional fez a sua estreia na Seleção, demonstrou nervosismo, mas não comprometeu.

Filipe Luís no lugar de Marcelo era previsível, pois tinha o objetivo de liberar Elias para avançar. E Marquinhos no lugar do contundido David Luiz era certo. Ricardo Oliveira na vaga de Hulk, segredo que guardou a sete chaves, deu mais presença de área à Seleção. Mas o treinador, que ensaiou colocar Lucas Lima no meio de campo, para tornar o time mais veloz e agressivo, insistiu com Oscar. E Oscar continuou insistindo em jogar mal.

Pode-se dizer que o jogo já começou com 1 a 0 para o Brasil. Foram precisos apenas 36 segundos para Willian penetrar na área, chutar e o goleiro Baroja colaborar, espalmando para dentro do gol. Detalhe: o lance do gol nasceu de uma roubada de bola de Luiz Gustavo na intermediária venezuelana. O gol serviu para eliminar qualquer risco de intranquilidade. Deixou a equipe à vontade na Arena Castelão.

Willian estava muito bem na partida, em um contraste com seu companheiro de Chelsea. Oscar estava apagado, perdido. Até teve a solidariedade, em um lance aos 30’ em que Douglas Costa poderia ter feito o gol, mas atendeu ao pedido insistente de Oscar e lhe passou a bola. Sozinho, na frente do gol, ele se enrolou a perdeu a chance, tirando Dunga do sério.

Com o passar do tempo, o toque de bola brasileiro diante da fechada Venezuela foi irritando a torcida. Menos mal que assim que saíram as primeiras vaias, tímidas, aos 41’, Filipe Luís fez grande jogada pela esquerda e rolou rasteiro para Willian, após corta-luz de Oscar (sua única boa jogada na etapa), fazer 2 a 0. O espírito festeiro da torcida cearense voltou na hora.

A Seleção tentou manter o ritmo na etapa final. Mas encontrava dificuldade de conclusão. E quando teve grande chance, não concluiu em gol. Quem vacilou? Oscar, que acabou com a paciência da torcida e de Dunga.

Até porque pouco depois de Oscar perder a chance de definir o jogo, a Venezuela fez seu gol, com Christian Santos. Lucas Lima entrou no lugar de Oscar e o time ganhou mais dinamismo. Ricardo Oliveira fez o terceiro e depois, para agradar a torcida, Dunga colocou Kaká em campo. (Da Agência Estado)

BRASIL

Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Elias, Oscar (Lucas Lima), Willian e Douglas Costa (Kaká); Ricardo Oliveira (Hulk). Técnico: Dunga.

A FRASE

“Fico feliz pela vitória e pelo empenho do grupo. Só a gente sabe como vem trabalhando forte.”