Publicado 13 de Outubro de 2015 - 5h30

A Seleção Brasileira volta a campo hoje para sua segunda apresentação nas Eliminatórias da Copa de 2018. A CBF escolheu o Castelão para receber a primeira partida do time em casa. É uma opção estratégica, já que a torcida de Fortaleza tende a ser mais carinhosa e, se necessário, paciente com a Seleção do que a de outras capitais.

Isso acontece porque a Seleção Brasileira é muito cobrada tanto por torcedores como por jornalistas. Apesar de ser cada vez mais comum que grandes seleções enfrentem dificuldades diante de equipes sem tradição, quando isso acontece com o Brasil o céu desaba sobre a CBF.

Hoje, por exemplo, a Itália recebe a Noruega pelo Grupo H da Eliminatórias da Euro. A Azzurra já está classificada, mas se perder terminará atrás do time de Tettey e Soederlund. Não os conhece? Nem eu. Mas fazem parte do time que tem apenas dois pontos a menos do que a tetracampeã mundial.

E a Holanda, aquela que goleou o Brasil por 3 a 0 na disputa do 3 lugar da Copa de 2014? Essa vai a campo hoje precisando vencer e torcer. Se não der tudo certo, vai assistir à Euro pela TV.

Como se vê, o Brasil não é o único que encontra dificuldades contra adversários que antes eram goleados impiedosamente.

Embora esse novo cenário seja inquestionável, com a evolução notória de alguns adversários, ele não pode servir de desculpa para o Brasil.

Pelo menos por enquanto, o Brasil ainda é especial. É o único que foi a todas as Copas. É o único que ganhou cinco delas.

O Brasil precisa superar as críticas. Não pode fugir de torcida exigente. Não pode se irritar com as críticas, ainda que algumas delas sejam exageradas.

Se hoje o Brasil tem apenas um craque e antes eram três ou quatro, é preciso encontrar outros caminhos para permanecer no topo.

O Brasil tem bons jogadores, experiência, preparação física adequada, instalações impecáveis, tem tudo o que é preciso para ser competitivo. O que falta, então?

Não existe uma resposta definitiva para essa pergunta. Mas acho que a solução passa por uma necessária evolução tática e pela necessidade de uma maior entrega de cada atleta.

O meia Willian disse que o importante é vencer a Venezuela hoje, nem que seja por 1 a 0. Matematicamente esse placar será sim suficiente. Mas é muito pouco para quem tem a pretensão de ser a melhor seleção.

Fugir das vaias, se revoltar com críticas e se dar por satisfeito com vitórias magras são atitudes de quem não se importa de ser um a mais entre os outros.

O Brasil, pelo menos por enquanto, ainda precisa entrar em campo com a meta de ser o melhor. Se não for sempre assim, logo a Seleção deixará de ser o que é.