Publicado 13 de Outubro de 2015 - 5h30

O técnico Dunga costuma dizer que o Brasil tem sempre a obrigação de vencer. Tal raciocínio é mais do que verdade na partida de hoje, às 22h, contra a Venezuela, no Castelão, em Fortaleza. A Seleção está devendo depois da derrota para o Chile, último de seus tropeços importantes recentes. A pressão é grande.

A desconfiança em relação à Seleção ganhou força impressionante com a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo e até agora, mais de um ano depois, não diminuiu. Ao contrário, até cresceu com o fracasso da Copa América e da derrota da semana passada para o Chile.

O técnico Dunga concorda que os efeitos do 7 a 1 incomodam. Mas entende que os jogadores devem saber conviver com esse fantasma. "Eu digo para eles que essa conta não é nossa, mas, já que a gente está aqui, temos de pagar. E quando os resultados não veem é normal que tenha essa cobrança."

Dunga, no entanto, diz saber o que é preciso para que a Seleção comece a recuperar o prestígio a partir desta noite. "Primeiro de tudo, temos de fazer um bom jogo para nós mesmos. Mostrar aquilo que somos capazes." A fórmula para isso, porém, ele admite que ainda não encontrou. "Eu e minha comissão técnica não dormimos muito bem", afirmou. "Se nós queremos carinho da torcida, também sabemos que eles querem receber carinho da nossa parte. Um bom futebol, uma vitória, para que tenham alegria, para que possam sorrir", disse o treinador da Seleção Brasileira.

Time

Na última partida sem o suspenso Neymar nas Eliminatórias, Dunga deverá fazer alterações no time para deixá-lo mais agressivo contra a Venezuela. Apesar de ele não confirmar, são boas as chances de Filipe Luis e Lucas Lima começarem a partida.

O lateral-esquerdo é mais marcador do que Marcelo, titular contra o Chile, mas libera Elias para chegar mais à frente. O santista deixará o time mais veloz e objetivo, embora Oscar não possa ser descartado.

"Nós temos de buscar as melhores opções, mudar um pouco taticamente, depende do que poderemos introduzir. Vamos ver jogadores que estão em melhor condição física e temos de buscar alternativas", disse Dunga. Em seguida, acrescentou: "Não significa que vamos mudar em todo jogo, porque já temos problemas de entrosamento. Se mudar toda hora, tira a confiança do jogador".

Lucas Moura, do Paris Saint-Germain, parece ser opção de Dunga para o decorrer do jogo, caso precise de um jogador hábil e veloz pelo lado direito. (Da Agência Estado)

Desfalcada e sob pressão, Argentina vai ao Paraguai

Surpreendida pelo Equador em Buenos Aires na primeira rodada, a Argentina entra em campo pressionada para enfrentar o Paraguai hoje, às 21h, no Defensores del Chaco, em Assunção.

Além da obrigação de vencer para apagar o resultado negativo de 2 a 0 amargado na última quinta-feira, os argentinos terão de superar os inúmeros desfalques.

O técnico Tata Martinez já não pôde convocar o atacante Lionel Messi, que se recupera de uma lesão no joelho esquerdo. O zagueiro e lateral Rojo e os meias Banega e Enzo Pérez também ficaram fora da convocação pelo mesmo motivo.

Para piorar, na derrota diante do Equador o treinador perdeu o zagueiro Garay, o volante Biglia e o atacante Aguero. Ramiro Funes Mori, Kranevitter e Tévez devem começar o jogo, sem mexer na estrutura da equipe.

"O triunfo dá tranquilidade, mas um bom jogo também é importante pensando no futuro", afirmou Tata Martinez.

O Paraguai quer aproveitar os problemas da Argentina para chegar aos seis pontos depois de estrear com vitória diante da Venezuela. O técnico Ramón Díaz promete um time mais cauteloso, mesmo jogando em casa.

Vitoriosos na primeira rodada, assim como o Paraguai, as seleções de Equador, Uruguai e Chile buscam continuar com 100% de aproveitamento. Equatorianos e uruguaios jogam em casa contra Bolívia (18h) e Colômbia (19h), respectivamente. Já os chilenos, depois de derrotarem o Brasil, vão até Lima enfrentar o Peru, no último jogo da segunda rodada, com início previsto para as 23h15.

Terceira rodada

A disputa pelas quatro vagas (e mais uma de repescagem) da América do Sul na Copa do Mundo de 2018 recomeça daqui a um mês. No dia 12 de novembro serão realizados os seguintes jogos: Bolívia x Venezuela, Equador x Uruguai e Chile x Colômbia. No dia 13, uma sexta-feira, jogam Argentina x Brasil (20h) e Peru x Paraguai (23h). (Da Agência Estado)

5 A 2

Da vitória da Argentina sobre o Paraguai em Assunção nas Eliminatórias da Copa de 2014.

Torcida vê final do treino e exalta Taffarel e Cafu

A torcida cearense finalmente notou a presença da Seleção Brasileira em Fortaleza. No início da noite de ontem, cerca de mil pessoas foram ao estádio Presidente Vargas assistir ao último treino da equipe para o jogo contra a Venezuela, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo. Puderam entrar apenas no final, quando os jogadores já faziam um rachão, seguido de cobranças de falta. Mas ficaram felizes.

Ao contrário do que havia ocorrido no sábado, quando os cerca de 50 presentes passaram todo o tempo em silêncio, desta vez a participação foi intensa.

Os torcedores vibraram a cada gol no rachão, aplaudiram cada lance de efeito, gritaram o nome de alguns deles e fizeram uma homenagem especial ao preparador de goleiros Taffarel e ao auxiliar técnico pontual Cafu. Ambos tiveram seus nomes gritados com entusiasmo pelo público cearense.

Ao final do treino, o volante Luiz Gustavo, o lateral Fabinho, o meia Willian, o zagueiro Gil e os atacantes Ricardo Oliveira e Lucas Moura deram seus uniformes para alguns torcedores.

Depois do fim da atividade, dezenas desses torcedores foram para a frente do portal onde estava o ônibus da delegação esperar a saída dos jogadores. A gritaria continuou e o técnico Dunga, dessa vez, foi o mais saudado. (Da Agência Estado)

Daniel Alves diz que time não tem que pagar o pato

O lateral-direito Daniel Alves não quer que a Seleção Brasileira "pague o pato" pelo que está acontecendo no País de uma maneira geral, e no mundo do futebol. Ele admite que a equipe está devendo um bom futebol e resultados convincentes e que há um distanciamento por parte do torcedor. Mas pede à torcida para separar a crise política e econômica da queda de rendimento da Seleção.

"Se eu puder pedir alguma coisa ao torcedor é para a Seleção não pagar o pato do Brasil", disse o jogador do Barcelona ontem em Fortaleza. "A Seleção está pagando pela revolta do brasileiro com outras coisas."

Daniel Alves reconhece que o fato de vários jogadores da Seleção atuarem há tempos na Europa também contribui para que haja um distanciamento por parte do torcedor, que desconfiava da vontade dos jogadores de servir à equipe. Mas ele garante que empenho não falta.

"Dada à circunstância do futebol brasileiro, impede que você consiga fazer uma grande carreira no Brasil. Eu quero deixar claro que, apesar de jogar fora, sou tão brasileiro como os outros. Esse orgulho de vestir essa camisa, de estar na Seleção é superior. Pode ser que exista um distanciamento, mas somos empurrados a isso", afirmou.

Daniel Alves garantiu que os jogadores estão dispostos a lutar para resgatar a credibilidade perante o torcedor. (AE)

6

Foi a colococação da Venezuela nas Eliminatórias de 2014. Ficou à frente de Peru, Bolívia e Paraguai.