Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

O goleiro Bravo, do Chile,teve pouco trabalho no jogo de quinta-feira contra o Brasil. Já o goleiro Jefferson sofreu dois gols — o primeiro deles defensável — e ainda viu duas bolas atingirem sua trave. Poderia, portanto, ter sido ainda pior.

Apesar disso, o técnico Dunga disse na entrevista coletiva que Chile 2 x 0 Brasil foi um jogo igual. Não foi, é evidente. Mas esse não foi o maior erro de avaliação do treinador da Seleção na entrevista que concedeu em Santiago. Dunga também disse que Neymar não fez falta ao time. E é óbvio que ele fez falta. Sempre faz.

A dependência do Brasil em relação a Neymar pode ser analisada de duas formas. O primeiro fator que chama a atenção é que ela é extrema e inquestionável. O aproveitamento da Seleção com seu craque em campo é de 72,9% (em 16 partidas oficiais). Sem ele, é de apenas 26,7% (cinco jogos oficiais). Não é preciso, portanto, se estender sobre o assunto. Sem Neymar, o Brasil perde competitividade.

O outro aspecto que merece atenção é o motivo pelo qual a equipe fica tão frágil sem ele.

É fácil entender por que o Brasil ganha mais jogos quando conta com seu melhor jogador. Neymar é um dos melhores do mundo, tem enorme habilidade, é veloz, marca muitos gols, faz passes inteligentes e não se esconde em campo. As coisas podem até não correr bem em um jogo ou outro, mas ele sempre tenta fazer a diferença. Geralmente consegue.

Mas e quando Neymar não joga? Por que o Brasil cai tanto, mesmo tendo bons jogadores, vários deles com bastante experiência internacional?

Aí entra o trabalho do treinador. O Brasil não tem craques em abundância como em outros tempos, mas tem um elenco forte o suficiente para enfrentar qualquer seleção do planeta.

O problema é que o time não tem uma mentalidade vencedora, como uma seleção desse porte sempre deve ter. Dunga estava satisfeito com o empate em Santiago. Já o técnico argentino Jorge Sampaoli demonstrou ter mais apetite. Ainda no 1 tempo, trocou o zagueiro Silva por Mark González, meia da Universidad Católica.

A partir daí, o jogo mudou. O Chile, até então mantido sob controle, passou a dar as cartas e criar oportunidades. Dunga ficou observando, na esperança de manter o 0 a 0 fora de casa ou, quem sabe, encaixar um contra-ataque.

Não deu certo. O time que procurou o gol chegou à vitória e só então Dunga foi mexer em sua estratégia. Tarde demais. Neymar faz falta à Seleção. Um treinador com mentalidade ofensiva também.