Publicado 11 de Outubro de 2015 - 5h30

Em 11 de outubro de 2014, o advogado Horley Senna foi aclamado como novo presidente do Guarani após a renúncia de Álvaro Negrão. Em um ano de mandato, completado exatamente hoje, o dirigente viu o clube viver dias agitados. Sob seu comando, o Bugre não conquistou os resultados esperados dentro de campo e fracassou na busca por acessos. Fora dele, quase perdeu seu patrimônio em um leilão, mas, graças a uma reviravolta o Brinco de Ouro foi alienado para a parceira Magnum e boa parte das dívidas já foram pagas. Senna falou ao Correio Popular sobre esse período, fez um balanço do ano e projetou os próximos meses.

Qual seu balanço do primeiro ano de mandato?

Vejo como positivo. Quando fomos aclamados, o Guarani estava na zona de rebaixamento para a Série D e com meses de salários atrasados. Entramos, resgatamos o Guarani, evitamos um novo rebaixamento e regularizamos os salários. Nesse ano montamos um elenco competitivo, mas veio o leilão em março e atrapalhou muita coisa, inclusive o rendimento em campo. Em consequência disso, não conseguimos o acesso. Depois, revertemos a situação jurídica e agora temos a certeza de uma arena, CT, clube social e patrocínio, além das dívidas pagas.

No início de 2015, você garantiu com todas as letras que o Guarani conquistaria dois acessos. Por que a promessa não foi cumprida? Se arrepende de ter dito isso?

Quando eu me comprometi, tínhamos salários pagos e a situação financeira mais equilibrada. Mas a intervenção da Justiça do Trabalho de colocar a Magnum no polo passivo acabou comprometendo todo o nosso procedimento. Não tínhamos cota, patrocínio e quase nenhuma receita. Houve comprometimento, mas também turbulência e problemas extra-campo que acabaram afetando. Não me arrependo porque meu objetivo era o acesso, não tinha outra coisa a declarar.

A relação da sua gestão com a Magnum sempre foi muito próxima. Hoje, pela Justiça, a empresa é uma parceira do Guarani, mas muitos bugrinos ainda têm o pé atrás. Isso te incomoda?

As pessoas que falam contra são frustradas, já tiveram oportunidade, tentam negociar o Guarani desde 2005, mas nunca conseguiram. Agora criticam uma gestão que tem raízes com o clube e não abandonou o Guarani na pior das horas. A maior dificuldade são os próprios bugrinos que remam contra, sejam sócios ou conselheiros. É o que mais atrapalha o trabalho do dia a dia. Mas agora é o momento de trabalhar e mostrar que é possível ser feito.

E a questão da Justiça? Está melhor do que você esperava?

Independentemente da insatisfação de alguns, o Guarani tem todas as garantias através da Justiça do Trabalho. Não existe nada mais transparente que isso. Os pagamentos das dívidas são feitos por lá e temos todas as garantias. Não vendemos o patrimônio. Era uma arrematação e revertemos, garantindo sobrevida ao Guarani. Se fosse arrematado pela Maxion, não pagaríamos sequer um terço das ações em fase de execução. E, hoje, temos 230 de 294 processos pagos, além dos em fase de conhecimento que já começamos a liquidar.

E a esperada arena? Sai quando?

Com respeito à construção, dependemos primeiramente da apresentação do projeto junto a Prefeitura. Não foi feito isso devido à necessidade de pagar as dívidas. O investidor está procurando o terrenos, apresentando ao Guarani e estamos levando a conhecimento de conselheiros e Comissão Imobiliária. Quando houver um local viável, de dimensões necessárias e valor razoável, ele será apresentado para os sócios decidirem. O Guarani só sai do Brinco de Ouro quando a arena estiver pronta e a construção só começa após os sócios deliberarem. Mas a perspectiva é de que em dois ou três anos já tenhamos a nova arena. E, com procedimentos administrativos e a Certidão Negativa de Débito, poderemos fazer um estádio até maior do que o previsto.

Acha que 2016 pode ser, enfim, o ano da retomada do Guarani?

Estamos começando com o pé direito. A base da equipe será mantida, a comissão técnica comandada pelo Pintado, que fez um bom trabalho, também continua. Temos salários em dia e ações trabalhistas praticamente liquidadas no início do ano. No contexto geral, o Guarani entra em 2016 com o pé direito e credibilidade, coisa que não tinha no passado.