Publicado 10 de Outubro de 2015 - 5h30

Eu estava de plantão no dia da primeira derrota da Seleção Brasileira em Eliminatórias. O que lembro de cabeça é que foi para a Bolívia, em La Paz, e que o técnico era Parreira. Dei um título com a palavra “vexame” em letras garrafais. Eu e quase todos editores de esporte que estavam trabalhando no País naquele dia.

Para escrever a coluna de hoje fui em busca de mais informações sobre aquele jogo de 25 de julho de 1993. A Bolívia venceu por 2 a 0. Taffarel, que defendeu um pênalti, falhou feio no primeiro gol, marcado por Etcheverry, o astro boliviano que sentiu uma distensão logo no início da partida. Ainda assim, ficou em campo até o final e decidiu o jogo.

Foi o fim de uma invencibilidade de 31 jogos em 39 anos. Na última rodada, o Brasil correu o risco de ficar fora da Copa. Mas daí Parreira encerrou o boicote a Romário — que não era chamado desde 1992, quando brigou com o auxiliar Zagallo — e o Baixinho ganhou do Uruguai por 2 a 0, no Maracanã. Meses depois, o Brasil foi tetra. O vexame de La Paz foi esquecido.

Hoje o futebol brasileiro vive um momento diferente. Depois da derrota por 7 a 1, a maior em 100 anos de história, nada mais é vergonhoso para a Seleção.

Na disputa do terceiro lugar da Copa, contra a Holanda, o Brasil perdeu por 3 a 0. Até o massacre da Alemanha, esse era o placar da maior derrota sofrida pelo Brasil em Copas (França 3 a 0, com Ronaldo atordoado em campo, na final de 1998). Mas ninguém se preocupou com a repetição dos 3 a 0 em Brasília.

A caminhada para a Copa de 2018 começou com uma nova derrota, desta vez por ‘apenas’ 2 a 0, em Santiago. Há 15 anos o Brasil não perdia para o Chile. Nunca o Brasil havia perdido em uma estreia de Eliminatórias. Mas e daí?

Embora tenha apenas um jogador excepcional, a Seleção Brasileira ainda tem muitos jogadores de qualidade. Poderia render mais do que mostrou em Santiago e do que tem mostrado de um modo geral.

Mas o grande problema é que para a CBF o que estamos vendo está de bom tamanho. Para Dunga, o jogo foi igual (realmente foi, mas só até o técnico adversário trocar um zagueiro por um meia), Oscar cumpriu seu papel (essa é difícil de entender) e nem sempre uma derrota significa que as coisas [TEXTO]vão mal.

Esse talvez seja o maior problema da Seleção Brasileira. Derrotas, ainda que inéditas, raras ou humilhantes, não preocupam mais. O que antes era vexame agora é só uma derrota e nada mais.[/TEXTO]