Publicado 14 de Outubro de 2015 - 22h27

Por Raquel Valli

Mila ficou paralítica por não ter recebido os primeiros-socorros ao ser atropelada. Foi resgatada em Santa Bárbara d'Oeste no começo do ano pela ONG Amor de Bicho, de Campinas, e até hoje não conseguiu um adotante

ONG Amor de Bicho

Mila ficou paralítica por não ter recebido os primeiros-socorros ao ser atropelada. Foi resgatada em Santa Bárbara d'Oeste no começo do ano pela ONG Amor de Bicho, de Campinas, e até hoje não conseguiu um adotante

Os animais com algum tipo de doença física, que moram em Campinas, têm enorme dificuldade em ser adotados. Por isso, protetores da cidade têm que suar dobrado para tentar conseguir adotantes para os pets. 

Já na Capital, a campanha Adote Um Pet Com Deficiência, que promovia feiras eventuais por falta de espaço fixo, já conseguiu até um lugar permanente para poder realizar esse tipo de evento. É que a RealtON, primeiro outlet do Brasil de imóveis novos, cedeu seu espaço no Jardim Europa a partir de dezembro (leia box abaixo).

Sem lar 

Mila ficou paralítica por não ter recebido os primeiros-socorros ao ser atropelada. Foi resgatada em Santa Bárbara d'Oeste no começo do ano pela ONG Amor de Bicho, de Campinas, e até hoje não conseguiu um adotante. Não anda e nem voltará a andar regularmente. Locomove-se em uma cadeirinha de rodas por uma hora por dia no máximo. Não controla o esfincter e, por isso, usa fraldas.

Precisa de doações regulares de esparadrapo, gaze, faixa para curativo, mas, sobretudo necessita de alguém que a adote. “É um animal especial para um adotante especial”, afirma a protetora Raíssa Natali. Interessados devem contar a estudante pelo Whats App: 998379473.

Foto: ONG Amor de Bicho

O pit bull Lion, que tem câncer no prepúcio também não conseguiu um lar definitivo. Foi resgatado no distrito de Sousas há cerca de quatro meses, e vive há três na casa da protetora Simone Domingues, que só poderá abrigá-lo até sábado (17). Para não ter que voltar para a rua, protetores estão se unindo para tentar pagar um abrigo particular, cuja mensalidade não sai por menos de R$ 300. Um dos que estão encabeçando a ajuda é advogado Bill Rodrigues, da ONG Opção Daniel Bezerra.

Foto: Simone Domingues/ Arquivo Pessoal

O tratamento de Lion está sendo feito na clínica All Vet, devido à beneficência da veterinária Paula Lopes, que o atende sem cobrar honorários, e do protetor Cassiano Schiavinatto de Piracicaba.

Quem quiser e puder ajudar, deve entrar em contato com a clínica pelo telefone (19) 3201-8400, ir direto à All Vet (Av. Dr. Jesuíno Marcondes Machado, 1249 - Nova Campinas) ou passar um Whats App para a veterinária (19) 991991806. 

Feira em São Paulo

A próxima feira da Adote Um Pet Com Deficiência será em 25 de outubro, no espaço da Reserva Animal (Rua Dom Henrique Mourão, 184, no bairro do Peri, em São Paulo, das 10h às 17h). Estarão disponíveios cinco gatos e 15 cães. Para novembro, está em negociação uma data no Dog Zone do parque Villa Lobos.

Já a partir de dezembro, as feiras serão fixas e realizadas no RealtON (Rua Groenlândia, 393, Jardim Europa).

A campanha foi idealizada por Livia Clozel, da Uhelp.com, que destaca que esse é só o começo do trabalho: “sabemos que há muito a fazer para mudar a realidade dos pets com deficiência no País”.

Devido à dificuldade de conseguir adotantes para eles, a gerente Giuliana Stefanini da ONG Luis Proteção Animal, de São Paulo, reforça a importância da iniciativa: “a cada cinco animais com deficiência que conseguimos encaminhar para um novo lar significa o mesmo que 20 filhotes adotados em um evento convencional”.

Entre os pets adotados por meio da campanha, estão, por exemplo, a cachorrinha Amora, que é amputada e que aguardava por um lar há 3 anos.

Foto: Clozel Comunicação

Nos abrigos, os pets que costumam ficar até o fim de suas vidas são os que têm algum tipo de deficiência, os mais idosos e os de cor preta.

“Buscamos pessoas conscientes, que adotem por amor e que não tenham preconceito com condição, cor e/ ou idade”, afirma a gerente da ONG, que tem 25 anos de atuação e é representante da Associação de Proteção Animal São Francisco de Assis (Apasfa).

Não existem dados concretos sobre a quantidade de animais com deficiência no Brasil, mas estima-se que cerca de 10% dos abandonados ou resgatados têm algum tipo de condição que os define como animal com deficiência, e que dificilmente serão adotados.

Escrito por:

Raquel Valli