Publicado 15 de Outubro de 2015 - 5h00


Nos artigos anteriores conhecemos um pouco sobre o funcionamento de dois sentidos do corpo humano, o paladar e o olfato. Descobrimos que, apesar de serem derivados de nervos diferentes, cheiro e gosto estão interligados. Por isso, nesta semana vamos explorar esses dois sentidos e conhecer melhor a capacidade e as características de nossas sensações com curiosidades e brincadeiras.

As substâncias voláteis que entram no nariz são chamadas de odores e as que chegam à boca (pela comunicação entre a garganta e as fossas nasais) são denominadas aromas. É assim que o sentido do olfato percebe, enquanto mastigamos, as moléculas que identificam o alimento. Dessa maneira, a combinação desses sentidos nos permite sentir reações boas ou ruins durante uma refeição.

Os receptores gustativos são estimulados graças às substâncias químicas presentes nos alimentos que desencadeiam o impulso nervoso. Algumas doenças podem prejudicar o paladar, assim como alguns medicamentos, principalmente aqueles usados de forma crônica. A quimioterapia e a radioterapia também estão relacionadas com a perda e alterações nesse sentido.

Um cheiro é capaz de despertar sentimentos variados como fome, atração ou repulsa. Para que algo tenha cheiro é necessário que libere moléculas gasosas. Ao sentir o cheiro da comida, temos a sensação de fome aumentada. Isso ocorre, pois o cérebro envia mensagens ao estômago para que ele produza sucos gástricos. Nesse momento, as glândulas salivares entram em ação e ficamos com a sensação de “água na boca”.

Curiosidades

As crianças possuem mais papilas gustativas do que os adultos, por isso, sentem o sabor amargo dos alimentos, como certas verduras, de maneira bem mais intensa.

Algumas moléculas presentes nas pimentas estimulam os receptores de calor existentes na língua. Elas afetam nosso nervo trigêmeo (que possui esse nome pois é constituído por três ramos, o oftálmico, o mandibular e o nervo maxilar), ligado à mastigação e à sensibilidade do rosto. É por isso que a pimenta faz os olhos lacrimejarem e a garganta se contrair. Já a hortelã nos causa uma sensação oposta, pois ela aciona os receptores de frio, provocando a sensação de frescor.

Certos odores são desagradáveis para todo mundo, mas existem alguns que agradam a todos. Parte disso ocorre devido a nossa instrução cultural. Desde pequenos somos acostumados a achar agradável o cheiro das árvores e flores e desagradável o cheiro das fezes ou de uma comida estragada. O centro do olfato se encontra no fundo do nariz. Neste local encontram-se pequenos cílios que captam e reconhecem os cheiros. Graças a esses cílios é que podemos classificar os cheiros como bons ou ruins.

Teste o seu olfato

Vende os olhos e separe alguns alimentos (sugestão: suco de laranja, cebola, pão, pó de café, maça). Peça para alguém aproximar os itens de seu nariz e tente descobrir quantos cheiros consegue identificar. Se puder fazer a atividade com diversas pessoas, melhor ainda. Assim poderão comparar os resultados.

Essa brincadeira nos permite observar que o olfato é um sentido que pode ser mais ou menos desenvolvido em determinada pessoa. Os enólogos ou perfumistas, pessoas que trabalham intensamente com o olfato, conseguem se concentrar nos odores que sentem, são capazes de identificá-los e de se lembrar deles.

Você sabia que a temperatura pode influenciar no sabor do alimento?

Quando provamos alimentos mais frios, percebemos melhor o gosto azedo. Quando o alimento está com uma temperatura maior, o percebemos mais doce.

Faça o teste: Divida um pedaço de chocolate ao meio. Coloque metade do chocolate na geladeira e deixe o restante em temperatura ambiente. Aguarde aproximadamente três horas e experimente um pedaço de cada vez. Você perceberá que a parte que ficou na geladeira parece menos doce do que a outra.

Você sabia que a memória interfere diretamente em nossa percepção dos alimentos?

O cérebro analisa as informações enviadas pelos sensores gustativos e olfativos e as compara com os gostos e cheiro gravados na memória. Quando comemos algum alimento que no passado nos fez muito mal e apresentados a este alimento novamente, mesmo sem provar, apenas sentindo seu cheiro, ficamos com uma sensação de “estômago embrulhado”, mesmo que o gosto e a qualidade dessa comida sejam ótimos.

Você sabia que a saliva tem um papel fundamental para o sentido do paladar?

Os variados sabores se misturam em nossa saliva enquanto comemos. Ou seja, os alimentos devem estar desmanchados e diluídos pela saliva para que as papilas gustativas possam perceber suas partículas odoríferas.

Faça o teste: Seque a língua com papel absorvente. Em seguida, coloque na língua um pedaço de queijo. Retire o queijo da boca. Na sequência, tome um gole de água e leve novamente o alimento à boca, mas desta vez, sem secar a saliva. Você perceberá a diferença entre os dois momentos e a importância da saliva durante nossa alimentação.

Verdade ou mito?

O nariz se acostuma com um cheiro.

Verdade. Os centros do olfato reagem principalmente às mudanças de odores. Por isso, ao ficar muito tempo em um ambiente que, num primeiro momento, possui um cheiro muito forte, depois de um tempo, acabam diminuindo a sua intensidade. Isso ocorre pois os receptores, espécie de sensores, reconhecem as moléculas odoríferas e o cérebro as interpreta. Mas após um tempo os receptores se acostumam com esse cheiro e permanecem adormecidos.

Alimentos congelados não têm cheiro.

Verdade. O frio impede que as partículas odoríferas escapem no ar. Para perceber isso, basta abrirmos uma geladeira e um freezer, por exemplo. A geladeira irá liberar determinados aromas de alimentos frescos, enquanto os alimentos congelados não irão apresentar cheiro.

Quando estamos resfriados perdemos o paladar.

Mito. O paladar não é perdido. O que ocorre é que, em geral, percebemos o cheiro antes do gosto. Com o olfato comprometido, o cérebro analisa somente as informações identificadas pela língua (doce, salgado, azedo, amargo e umami) e ela não possui a mesma sensibilidade e a precisão de nosso nariz.

Apenas nosso paladar nos diz se um alimento é saboroso.

Mito. Quando saboreamos um alimento, identificamos o seu gosto, mas também o seu cheiro e sua consistência. Dessa forma, aparência e a consistência da comida também interferem em na percepção do sabor. Se uma pessoa que adora bolo de chocolate, por exemplo, deparar-se com uma fatia despedaçada ou com uma cor que lhe pareça estranha, dificilmente irá achar o bolo saboroso. Isso quer dizer que a nossa visão também é importante para o reconhecimento de um alimento.

Agora que conhecemos melhor como funcionam nosso olfato e paladar, vamos nos dedicar a um dos mais importantes sentidos para o ser humano: a visão. É o que veremos a partir de nosso próximo encontro. Até lá!