Publicado 13 de Outubro de 2015 - 17h31

A artilharia israelense bombardeou duas posições do Exército sírio nas Colinas de Golã em represália pela queda de dois foguetes na parte desta região ocupada por Israel

AFP

A artilharia israelense bombardeou duas posições do Exército sírio nas Colinas de Golã em represália pela queda de dois foguetes na parte desta região ocupada por Israel

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) garante que a Rússia será "derrotada" na Síria, de acordo com uma gravação sonora divulgada nesta terça-feira (13).

Desde 30 de setembro, a Força Aérea russa bombardeia posições dessa organização jihadista e de outros grupos rebeldes em guerra contra o governo Bashar al-Assad.

"A Rússia será derrotada", ameaça o porta-voz do EI, Abu Mohamed al-Adnani, na gravação divulgada nesta terça nos "sites" jihadistas, convocando "os muçulmanos em todos os lugares a lançar a 'Jihad' contra os russos e os americanos".

Al-Adnani chamou os Estados Unidos de "fracos e impotentes" e de "recorrer" à Austrália, à Rússia, à Turquia e ao Irã para ajudá-los "em sua guerra contra o EI" na Síria. "Estão dispostos a se aliar até mesmo com o diabo", acrescentou.

O porta-voz do Estado Islâmico disse ainda que seu grupo "se reforça a cada dia e que continuará a se tornar cada vez mais forte", enquanto ocupa metade da Síria e amplas regiões do Iraque.

Abu Mohamed al-Adnani confirmou a morte do número dois do EI, Fadel Ahmad al-Hayali, em um ataque aéreo americano em 18 de agosto, perto de Mossul, no norte do Iraque.

Al-Nosra também ameaça russos

O chefe da Frente al-Nosra, o braço sírio da Al-Qaeda, também convocou nesta terça a multiplicação dos ataques contra a Rússia.

A embaixada russa em Damasco foi alvo de dois morteiros, quase 15 dias depois do início da intervenção russa na Síria para apoiar o regime de Al-Assad.

O ataque aconteceu durante uma manifestação em apoio a Moscou. Os projéteis foram disparados por rebeldes islamitas dos subúrbios da capital e não deixaram feridos, segundo a embaixada.

Este ataque "é um atentado terrorista evidente para intimidar os partidários da luta contra o terrorismo e impedi-los de conquistar uma vitória contra os extremistas", denunciou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

Em uma gravação, o chefe da Al-Nosra, Abu Mohamad al-Jolani, alertou que a intervenção russa na Síria terminará com uma derrota.

"A guerra na Síria fará que os russos se esqueçam dos horrores vividos no Afeganistão", ameaçou.

"Convoco os mujahedines (combatentes islamitas do Cáucaso) a apoiar o máximo que puderem o povo da Síria. Se o Exército russo matar nossa população, matem a deles, se matarem os nossos soldados, matem os deles. Olho por olho", acrescenta Abu Mohamad al Jolani.

Para isso, ressalta, os múltiplos grupos rebeldes espalhados por toda a Síria devem "deixar de lado suas disputas até o desaparecimento e o esmagamento da Cruzada ocidental e da campanha russa em território sírio".

A Rússia concentrou seus bombardeios no centro e no norte da Síria, onde se encontra a Frente Al-Nosra, sobretudo, nas províncias de Idleb e Hama, nas quais combatia outros grupos islamitas.

US$ 3 milhões pela cabeça de Assad

O chefe da Al-Nosra também convocou os rebeldes a atacarem as localidades alauitas, seita xiita à qual o presidente Al-Assad pertence.

"Devemos estender a batalha e atacar aldeias nosairitas (palavra depreciativa para se referir aos alauitas) de Latakia e convido todas as partes rebeldes a reunir o maior número possível de morteiros para atingir esses povoados todos os dias com centenas de projéteis, assim como fazem contra nós", disse.

Além disso, ofereceu mais de 3 milhões de dólares para quem matar o presidente Bashar al-Assad, e 2 milhões pela cabeça do chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah.

Em campo, as forças do regime de Al-Assad sofreram um revés em sua tentativa de avançar no centro da Síria e cercar Khan Sheikhun, um reduto da Al-Nosra. Foram obrigadas a retroceder após intensos combates contra os rebeldes nos quais, desde a última segunda-feira (12), 25 pessoas morreram nas fileiras pró-governo.

Enquanto isso, a Força Aérea russa anunciou nesta terça-feira que bombardeou 86 alvos terroristas na Síria nas últimas 24 horas. Isso equivale a um recorde desde o início de sua intervenção militar, em 30 de setembro.

Foram atingidas as províncias de Raqa (norte), Hama (centrl), Idleb (noroeste), Latakia (oeste) e Aleppo (norte).

O presidente russo, Vladimir Putin, reclamou da falta de cooperação dos Estados Unidos no conflito sírio.

Putin criticou o fato de não ter recebido uma resposta às perguntas feitas aos Estados Unidos sobre que alvos a aviação russa deve atacar e quais evitar. Também disse que não há garantias de que as munições lançadas por Washington na Síria não cairão nas mãos de terroristas.

No domingo, os Estados Unidos lançaram de paraquedas munições no norte da Síria para rebeldes deste país que combatem o Estado Islâmico (EI), indicou na segunda-feira um porta-voz do comando das forças americanas no Oriente Médio (CentCom).

O diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdel Rahman, disse que houve um fortalecimento do Hezbollah na província de Hama e que milhares de combatentes iranianos chegaram ao aeroporto de Hmeimin, ao sul de Latakia. Essa infraestrutura também é usada pela aviação russa.

No sul, a artilharia israelense bombardeou duas posições do Exército sírio nas Colinas de Golã em represália pela queda de dois foguetes na parte desta região ocupada por Israel, anunciou o Exército hebreu.