Publicado 15 de Outubro de 2015 - 20h23

Por Bruno Bacchetti

Segundo o sargento, o simulado é realizado em todas as regiões do Estado no segundo semestre

O Liberal

Segundo o sargento, o simulado é realizado em todas as regiões do Estado no segundo semestre

O Corpo de Bombeiros realizou, na manhã de quinta-feira (15), um simulado de acidente ferroviário na estação de Americana, envolvendo uma locomotiva, dois vagões, um caminhão e um carro. Participaram do exercício a Guarda Municipal de Americana (Gama), Polícia Militar (PM), Defesa Civil, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), América Latina Logística e secretarias municipais.

O objetivo é promover a interação entre todos os órgãos envolvidos e prevenir possíveis falhas em acidentes reais. O exercício foi realizado próximo ao pátio de manobras da ferrovia, há poucos metros de onde ocorreu a maior tragédia ferroviária do município.

Em 2010, dez pessoas morreram e outros 18 ficaram feridos em acidente envolvendo um ônibus urbano e um trem, na passagem de nível da ferrovia na rua Carioba. Neste ano, já aconteceram dois acidentes com descarrilamento no trecho, nos dias 13 de abril e 17 de agosto. No dia 7 de julho uma manobra operacional causou grande congestionamento na avenida Dr. Antonio Lobo.

“O simulado foi feito no pátio de manobra porque se fizesse na passagem de nível traria muitos problemas ao trânsito. Nós simulamos um acidente envolvendo trem, caminhão com produtos perigosos e um veículo, com sete ou oito vítimas, vazamento de substâncias e fogo. A integração é o mais importante, com todos os órgãos falando a mesma língua”, afirmou Cláudio Roberto Gasparoto, sargento do Corpo de Bombeiros.

Segundo o sargento, o simulado é realizado em todas as regiões do Estado no segundo semestre, levando em conta a característica de cada cidade e o tipo de acidente com maior probabilidade de acontecer. “Identificamos em cada região a probabilidade e o tipo de ocorrência. Em Piracicaba, por exemplo, foi feito um simulado com fogo num tanque de álcool em uma usina”, contou Gasparoto.

Acidente

O acidente ocorrido em Americana no ano de 2010 reabriu as discussões sobre os constantes acidentes na malha ferroviária que corta os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e reforçou as cobranças de moradores e autoridades sobre a necessidade de retirada dos trilhos das áreas urbanas.

A diretora executiva do Conselho de Desenvolvimento da RMC (CD-RMC) Ester Viana, afirmou que a entidade conduziu a negociação entre ALL e municípios para a retirada dos trilhos, e que a partir daí cada prefeitura passou a tratar individualmente com a empresa que administra os trilhos.

“O Conselho levantou a situação das 11 cidades que tem esse problema, fizemos um documento e encaminhamos para os prefeitos. Trouxemos a ALL para uma reunião com os prefeitos e eles se comprometeram a verificar a situação e fazer um plano para cada município”, explicou.

Além de Americana, outras cidades da região registraram acidentes na linha férrea nos últimos anos. No início deste ano, um jovem foi encontrado morto no trilho em Nova Odessa e a suspeita é que praticava “surf ferroviário”.

No ano passado, uma mulher morreu atropelada pelo trem na linha férrea do Jardim Primavera, em Sumaré.

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Bruno Bacchetti