Publicado 15 de Outubro de 2015 - 20h19

Por Gustavo Abdel

Condomínio Poços de Caldas no bairro Matão em Sumaré

César Rodrigues/ AAN

Condomínio Poços de Caldas no bairro Matão em Sumaré

Após uma semana da ação truculenta de policiais militares, em abordagem a moradores de um condomínio no bairro Matão, em Sumaré, o clima de tensão e o medo de tentativas de invasão aos apartamentos são constantes.

Apesar de a PM não estar com as viaturas fixas em frente aos prédios — como ficou na segunda-feira —, muitos moradores afirmam que dois policiais que participaram da ação polêmica, que terminou em confronto na última sexta-feira, estariam circulando pela Rua Eduardo Hoffmann em carros particulares, e em horários alternados.

As ruas na região dos condomínios de prédios estavam vazias ontem, Dia do Professor. Apesar de as crianças não terem tido aulas, as mães não as permitiram sair do portão para fora.

“É muito arriscado. Ainda estamos vivendo um clima de apreensão e não dá para deixar ninguém sair na rua”, disse uma das moradoras do Condomínio Poços de Caldas. Somente nesse residencial são 614 crianças e quase 1,2 mil moradores.

“A primeira coisa que meu filho tem feito de manhã é olhar para a rua para ver se a polícia está lá”, disse outra mulher.

De acordo com uma das lideranças do condomínio, a apreensão com a troca de plantão dos policiais, que ocorreria na noite de ontem, deixava ainda mais a situação tensa. “A partir das 19h é a troca de plantão, e provavelmente os mesmos três policiais que estiveram na sexta-feira voltem para a frente do condomínio. Com uma avenida logo ali, porque eles vêm fazer blitz aqui?”, dizia a moradora na tarde de ontem.

De acordo com os moradores, as primeiras viaturas chegaram às 22h30 da sexta-feira passada, e fecharam o comércio informal que fica na Rua Eduardo Hoffmann. A população ficou surpresa com a ação e entrou no condomínio.

Minutos mais tarde, um representante do residencial foi conversar com os policiais e foi agredido, disseram testemunhas. Em nota, a SSP informou que os policiais avistaram uma pessoa em atitude suspeita e que teria resistido a abordagem, agredindo os PMs.

Imagens de câmeras de segurança, obtidas pelo Correio, mostram o momento em que o homem se aproxima, desarmado. Pelo menos dois policiais o imobilizam com violência. Depois, um deles aplica uma chave de braço no abordado. Moradores se aproximam, mas são dispersados. Na gravação, a hora marcada é 22h44.

Às 22h47, a confusão continua, com pedras e outros objetos sendo lançados. Um policial chega apontar a arma para dois homens e depois para dentro do condomínio. Uma menina que filmava a ação com um celular foi imobilizada e levada para fora do condomínio. Testemunhas disseram que ela foi agredida com pontapés. “Os policiais foram agressivos até com uma senhora, pedindo para ela abrir a Bíblia Sagrada para revistar”, relatou um morador.

Questionada novamente pelo Correio, a Secretaria de Estado da Segurança Pública não respondeu se considera normal o uso ostensivo de armas apontadas aos moradores, se considerava a abordagem truculenta. Novamente informou que foi uma abordagem a suspeito, que reagiu aos policiais.

A reportagem também questionou a pasta se os policiais apontados como tendo participado da abordagem no condomínio estão fazendo rondas à paisana pelo local, mas não obteve informações.

“O Comando de PM da região de Piracicaba esclarece que encaminhou o vídeo publicado em matéria do Correio para que o 48° BPM-I avalie a conduta dos policiais”, informou.

SAIBA MAIS

As blitze foram intensificadas no condomínio do Matão dois dias após um sargento da PM ser morto a tiros na Rodovia Anhanguera, próximo ao bairro. Um suspeito pelo crime está preso e outro é procurado. A polícia, porém, nega relação entre o crime e as operações no local.

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Gustavo Abdel