Publicado 14 de Outubro de 2015 - 20h46

Por Eric Rocha

Video flagra ação truculenta da PM em Sumaré

Reprodução

Video flagra ação truculenta da PM em Sumaré

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) atribuiu a confusão registrada na última sexta-feira entre a Polícia Militar e moradores de um condomínio, no bairro Matão, em Sumaré, à uma reação de abordagem feita a “uma pessoa em atitude suspeita”, de acordo “com os registros formais”. Um vídeo gravado da operação mostra ação truculenta dos policiais, porém não há uma apuração interna aberta sobre a atitude dos militares. A pasta apenas informou que o Comando da PM da região de Piracicaba encaminhará o vídeo obtido para que o 48º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) avalie a conduta dos PMs envolvidos na ocorrência.

A gravação, à qual o Correio teve acesso, mostra dois policiais militares imobilizando um homem com violência. Segundo o Estado, os registros da PM informam que o suspeito resistiu à abordagem e agrediu os policiais. Eles chegam a aplicar uma chave de pescoço na pessoa abordada. Moradores se aproximam, mas são dispersados logo na sequência. O vídeo, feito pelas câmeras de segurança de um dos prédios do condomínio, também mostra pedras e outros objetos sendo lançados. Um policial chuta a porta do residencial e aponta a arma para dois homens e depois para dentro do condomínio. Uma menina que filmava a ação com um celular foi levada para fora do local. Testemunhas disseram que ela foi agredida com pontapés.

De acordo com os moradores, as primeiras viaturas da PM chegaram às 22h30 da sexta-feira passada, na Rua Eduardo Hoffman e fecharam o comércio informal. A população ficou surpresa com a ação e entrou no condomínio. Minutos mais tarde, o homem teria ido conversar com os policiais e foi agredido, dando início a confusão relatada.

Em nota, a SSP informou que uma equipe estava em patrulhamento pela região quando avistou uma pessoa em atitude suspeita. Ela teria reagido à abordagem e agredido os policiais, motivo pelo qual começou a ser algemado. A pasta disse que "um grande número de pessoas com pedaços de madeira, garrafas e pedras interveio a favor do suspeito e passou a danificar a viatura e agredir a equipe policial”. No tumulto, o agressor fugiu e não foi localizado, segundo a versão oficial. “O veículo oficial teve danos nos vidros e lataria. Três policiais ficaram feridos. Com a ajuda de outras equipes da PM. foram detidos os autores das agressões à equipe e dos danos à viatura”, afirmou a secretaria, sem especificar o número de pessoas detidas.

Questionada pelo Correio, a secretaria estadual não respondeu se considera normal o uso ostensivo de armas apontadas aos moradores, se considerava a abordagem truculenta e desproporcional e se avaliava as cenas do vídeo como uma ação policial normal, de rotina, plausível e justificada. A reportagem também perguntou o que aconteceu com a mulher que teria sido detida após filmar a ação. Também foi solicitado o nome dos policiais envolvidos, para uma possível entrevista, mas também não houve retorno.

Morte de policial

Condôminos afirmaram na última segunda-feira que, dois dias após o assassinato de um sargento da PM na Via Anhanguera, em Sumaré, policiais militares teriam começado a fazer blitze diárias no local, a invadir as casas sem mandado, agredir e xingar as pessoas abordadas. Cinco moradores, entre eles duas mulheres, mostraram marcas roxas e vergões de supostas agressões que teriam ocorrido nos últimos dias. A SSP, no entanto, também não comentou se apura essas denúncias.

O sargento Carlos Henrique Zatarin de Souza, de 29 anos, era lotado no 48º BPM/I, e foi assassinado com dois tiros na cabeça, no posto Sucão. Ele esperava uma ônibus às margens da rodovia quando, ao embarcar no coletivo, foi alvejado pelas costas. Segundo testemunhas, os disparos foram feitos por dois homens, que fugiram levando a arma do PM.

Um suspeito, identificado como Aguinaldo Nunes, foi preso um dia após o crime. O delegado Marcelo Moreschi Ribeiro, do 4º Distrito Policial de Sumaré, informou nesta quarta-feira, via SSP, que solicitou imagens à empresa de ônibus para tentar identificar o outro autor do assassinato.

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Eric Rocha