Publicado 13 de Outubro de 2015 - 21h44

Por Inaê Miranda

Priscila descobriu a trombose ao se tratar de infecção urinária</CW>

Janaína Ribeiro/ ANN

Priscila descobriu a trombose ao se tratar de infecção urinária

Fortes dores nas costas, na virilha e dificuldade para andar. Desde os primeiros sintomas até o diagnóstico de trombose foram cinco dias que quase custaram a vida da pedagoga Priscila Gabriela Bissoto, de 28 anos. Silenciosa e de diagnóstico difícil, a doença está associada a uma em cada quatro mortes no mundo.

No Dia Internacional de Combate à Trombose — lembrado nesta terça-feira (13) —, especialistas alertam para a necessidade da redução do número de casos não diagnosticados. O objetivo da data também é reforçar as medidas para prevenção e incentivar as melhores práticas direcionadas a pacientes.

Caracterizada pela formação de trombos de sangue nas artérias (trombose arterial) ou veias (trombose venosa), a doença acomete principalmente as veias das pernas e os pulmões, podendo causar embolia pulmonar. Uma vez formado, o coágulo pode retardar ou bloquear o fluxo sanguíneo normal, e até se soltar e viajar para um órgão.

Isso pode resultar em lesão significativa, incluindo ataque cardíaco, derrame e o tromboembolismo venoso (TEV), como explica a professora Joyce Maria Annichino-Bizzacchi, responsável pelo ambulatório de trombose do Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“A consequência da trombose, a embolia de pulmão, é que é o grande problema e pode levar à morte”, diz.

Os principais sintomas da trombose são inchaço, dor ou endurecimento da perna, além de alteração da coloração da pele da perna. Quando a doença evolui para a embolia pulmonar, o paciente pode apresentar falta de ar, tosse e dor no tórax. É considerada silenciosa, porque nem sempre a perna incha.

A principal forma de diagnóstico da doença é através do exame de ecodoppler. Cerca de 50% dos pacientes que têm trombose apresentam a “síndrome pós-trombótica”, que é a perna sempre inchada, alteração na coloração e dor.

O paciente que já teve a doença tem um fator de risco considerado alto para apresentar a trombose outras vezes. Os principais fatores de risco são relacionados à imobilização prolongada (viagens aéreas longas por exemplo), uso de anticoncepcionais, tabagismo, obesidade, insuficiência cardíaca e hospitalizações longas.

Fatores hereditários também estão envolvidos. Outras situações são cirurgias de médio e grande portes, infecções graves, traumatismo, a fase final da gestação e o puerpério (pós-parto).

A hematologista afirma que a trombose pode ocorrer em qualquer idade, mas com o envelhecimento o risco aumenta. Priscila teve trombose em janeiro deste ano. Em menos de 15 dias foram duas tromboses. Ela conta que fazia tratamento para uma infecção urinária na ocasião e imaginou que os sintomas — dores nas costas e virilha — estivessem associados.

Somente quando a perna da pedagoga inchou abruptamente e ela voltou ao hospital, foi dado o diagnóstico da trombose. Após dez dias internada, Priscila recebeu alta e, em casa, voltou a apresentar a doença. “Os exames que estou fazendo não indicam que a minha trombose seja hereditária. O principal fator de risco associado foi o uso contínuo de anticoncepcional por dois anos”, contou.

A médica afirma que o dia eleito para evidenciar a importância da doença tem como objetivo alertar não apenas a população, mas os profissionais de saúde.

“A grande importância desse dia é justamente alertar a população, médicos que cuidam dos pacientes internados ou que vão se submeter a cirurgia de rotina, para que se atentem aos riscos e façam a profilaxia correta, olhem o histórico do paciente e façam uma avaliação prática de risco.”

Segundo a hematologista, o tratamento é feito com anticoagulante. Também são usados os meios mecânicos — meias de compressão pneumática intermitente. Outra indicação, especialmente para os pacientes internados é a deambulação (andar). “Sempre que possível, colocar o paciente para andar”, orienta. 

Escrito por:

Inaê Miranda