Publicado 11 de Outubro de 2015 - 18h53

Por Adriana Leite

O evento é realizado em Holambra, de 25 de agosto a 24 de setembro

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O evento é realizado em Holambra, de 25 de agosto a 24 de setembro

A situação do emprego é preocupante na Região Metropolitana de Campinas (RMC). No acumulado de janeiro a agosto deste ano, 10.572 postos formais foram cortados pelos empregadores. Os principais mercados de trabalho sofrem com a crise econômica e estão no negativo no balanço mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Mas sete cidades da região ainda estão com saldo positivo em 2015: Engenheiro Coelho (177 postos), Holambra (104), Indaiatuba (508), Itatiba (166), Jaguariúna (496), Paulínia (193) e Santa Bárbara d’Oeste (501).

O cenário um pouco melhor do que dos grandes centros é resultado de contratações em setores pontuais, como agronegócios, construção civil e informação e comunicação. A cidade de Engenheiro Coelho é a única entre os 20 municípios que compõem a RMC que apresentou crescimento do número de postos de trabalho em relação a 2014, conforme estudo da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Em Engenheiro Coelho, o setor que mais gerou postos no ano foi a agricultura, com 172 admissões. Na cidade de Holambra, o maior gerador de vagas foi a construção civil, com 94 trabalhadores. Em Indaiatuba, o segmento que liderou as contratações também foi a construção com 1.405 vagas. O setor ainda foi destaque em Itatiba, com 380 pessoas admitidas de janeiro a agosto.

Em Jaguariúna, o setor de informação e comunicação gerou 577 postos. No município de Paulínia, 470 pessoas foram contratadas por empresas de transportes, armazenagem e correio, e em Santa Bárbara d’Oeste o primeiro lugar na criação de empregos ficou com a agricultura, que contratou 545 trabalhadores. Especialistas afirmam que a estrutura econômica dos pequenos e médios municípios e os investimentos realizados por grandes empresas em algumas cidades da região explicam o desempenho melhor do mercado de trabalho.

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A consultora de Recursos Humanos, Ligia Molina, comenta que o momento para todo trabalhador é de buscar se qualificar e se manter empregado. “Um fator até contraditório nesse cenário é que as poucas vagas que surgem muitas vezes demoram a ser preenchidas porque é difícil encontrar mão de obra qualificada”, diz.

Ela observa que outro problema são as condições oferecidas pelo mercado e a expectativa do profissional que busca recolocação. “As empresas não estão dispostas a pagar altos salários. Ao contrário, as companhias estão cortando cargos com salários mais elevados. Mas muitos profissionais que buscam recolocação querem ganhar a mesma remuneração que recebiam no último cargo. Nesse momento, é necessário se adaptar à nova realidade”, comenta.

Ligia, que também é docente no IBE-Fundação Getúlio Vargas (FGV), salienta que o mercado de trabalho nos grandes centros urbanos sofre maior impacto com a crise econômica. “Todos os setores acabam sendo afetados. Atualmente, regiões altamente industrializadas sentem a queda da atividade do setor que acaba se refletindo em outros setores, como comércio e serviços, em decorrência do aumento do desemprego”, ressalta.

Grandes e pequenas

O professor de economia da IBE-Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mucio Zacharias, afirma que há dois cenários diferentes dependendo do porte da empresa. “As grandes e médias empresas sofreram nos últimos cinco anos com uma forte queda do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e com o repasse da inflação. Mas as companhias não puderam majorar os seus preços na mesma proporção e tiveram um achatamento das margens. O resultado são as demissões em massa dos últimos anos”, explica.

Ele completa que as pequenas, que trabalham com custos menores e quadro de funcionários mais enxuto, tiveram um impacto menor e promoveram menos cortes de vagas formais. “Entretanto, a situação hoje já não é tão confortável. Para o próximo ano, devem aumentar os cortes de postos dentro das pequenas empresas”, prevê. Ele salienta que o cenário macroeconômico mostra pouco chance de um cenário mais favorável ao emprego neste ano e em 2016.

Escrito por:

Adriana Leite