Publicado 11 de Outubro de 2015 - 11h49

Por Gustavo Abdel

Suélen vive às voltas com a leucemia desde 2006, e agora só um transplante poderá ajudá-la a superar a doença

Carlos Sousa Ramos

Suélen vive às voltas com a leucemia desde 2006, e agora só um transplante poderá ajudá-la a superar a doença

A mineira Suélen Sequi voltou para sua casa nesse fim de semana, pois sua avó Teresinha completará 74 anos e ele faz questão de estar do lado dela. Sua volta a Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, depois de mais de duas semanas em Campinas, é apenas um breve respiro na sua agitada rotina. Na terça-feira ela retorna, e sabe que daí em diante uma semana de longas sessões de quimioterapia consumirão seis horas de cada um de seus dias.

Aos 28 anos, essa é a terceira vez que a Suélen bate de frente com a leucemia, e agora os médicos já foram diretos: há a necessidade de transplante de medula óssea. Uma página na internet criada pelos amigos da publicitária faz campanha para a doação e também dá informações sobre a doença.

A vida de Suélen desde os 18 anos tem sido de intensa luta contra a doença. Em 2006 ela foi diagnosticada pela primeira vez com leucemia, e depois de dois anos e meio de tratamento no Centro Infantil Boldrini, a jovem se recuperou. “É muito difícil receber uma notícia dessa. Pois precisei deixar muitos sonhos para traz para começar um tratamento intenso”, lembra.

Em 2011, quando finalizava o último ano do curso de publicidade e propaganda em Pouso Alegre, a doença novamente voltou a se manifestar. Foi então que os amigos de faculdade se mobilizaram e no ano seguinte criaram uma página no Facebook com o nome “Seja compatível com a vida”. O objetivo é informar, minimizar os mitos e incentivar o cadastro de voluntários interessados em serem doadores de medula. Não somente para a Suélen, mas para milhares de pessoas que procuram por um doador compatível.

Depois de mais três anos de tratamento Suélen ficou curada, mas este ano, teve de enfrentar tudo de novo. “Os médicos dizem que agora preciso de transplante de medula. Estou iniciando a segunda fase do tratamento, e para poder receber o transplante preciso alcançar a quarta fase. Tenho muita fé que consiga encontrar um doador”, afirma. Os familiares não apresentaram compatibilidade para realizar o transplante, e agora ela aguarda um doador compatível. A chance de encontrar é uma em 100 mil, mas isso não assusta a mineira, que neste fim de semana vai aproveitar o frango caipira e o doce de leite no aniversário da vó Teresinha em Monte Alegre.

Apoio

A “segunda” moradia de Suélen é a Casa Ronald McDonald Campinas, cuja mantenedora é a Associação de Pais e Amigos da Criança com Câncer e Hemopatias (Apacc). Ela se hospeda na casa com sua mãe, e quando não está em tratamento, gosta de ficar na internet e também brincar com as crianças que vivem na casa. “Tenho fé que vou me curar”, disse.

Atualmente, a entidade tem capacidade para hospedar 28 crianças e adolescentes, além de seus familiares. O período de permanência dos pacientes varia de um dia até mais de um ano, de acordo com cada caso. Neste período, os pacientes e seus acompanhantes recebem hospedagem, alimentação, transporte e atendimento psicossocial gratuitamente. Ao longo do ano de 2014, a instituição hospedou 168 adolescentes e crianças com câncer e seus acompanhantes, tanto da região quanto de outros estados.

COMO DOAR

É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros. Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5 a 10ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado. A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples. 

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Gustavo Abdel