Publicado 11 de Outubro de 2015 - 11h14

Por Bruno Bacchetti

Estudantes em frente a escola estadual em Campinas: para especialista, é preciso rever política para estrutura escolar

Leandro Ferreira

Estudantes em frente a escola estadual em Campinas: para especialista, é preciso rever política para estrutura escolar

A qualidade e as condições do ensino básico oferecidas nas cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão longe do ideal e necessitam de melhorias em estrutura e contratação de profissionais experientes e capacitados. Foi o que apontou o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB), iniciativa do Centro de Liderança Pública com o apoio do Instituto Península, da Fundação Lehmann e da Fundação Roberto Marinho, divulgado na última quarta-feira. A região tem apenas uma cidade entre as 100 com melhores índices do País — Pedreira, na 75ª colocação — e sete municípios sequer atingiram a média do índice, que vai de 0 a 10.

O IOEB identifica quanto cada cidade ou Estado contribui para o sucesso educacional dos seus habitantes e engloba toda a educação básica (redes estadual, municipal e privada), assim como todos os moradores em idade escolar, não apenas os que estão na escola.

O IOEB é formado a partir da relação de um conjunto de fatores, com pesos atribuídos a cada um deles. Esses fatores se dividem em dois grupos: insumos e processos educacionais e resultados educacionais. Para chegar ao primeiro indicador são analisados a escolaridade dos professores, número médio de horas aula/dia, experiência dos diretores e taxa de atendimento na educação infantil. Já o indicador de resultados leva em conta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos iniciais e finais do ensino fundamental e a taxa líquida de matrícula do ensino médio.

Para chegar à nota final, os idealizadores observaram a nota de prova, o fluxo — se os alunos estão passando de ano, se têm possibilidade de os menores em matrícula em educação infantil, e se eles estão completando na idade correta. O estudo foi assinado pelos mesmos autores do Ideb: Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa (Inep), e Fabiana de Felicio, ex-Diretora de Estudos Educacionais do Inep.

As três primeiras colocadas no ranking nacional são do Ceará: Sobral (índice de 6,1), Groaíras e Porteiras (ambas com índice de 5,9). Pedreira obteve o melhor resultado entre as 20 cidades da RMC, com índice de 5,4 e na 75<SC210,170> colocação geral. A seguir aparece Nova Odessa, que também obteve nota 5,4, mas fica atrás por causa do peso dos indicadores. Indaiatuba, Jaguariúna e Vinhedo, todas com índice de 5,3, aparecem na sequência.

O pior desempenho da região foi de Santo Antonio de Posse (4,7). Outras seis cidades da RMC não atingiram a média: Artur Nogueira (4,9), Campinas (4,9), Cosmópolis (4,8), Monte Mor (4,9), Sumaré (4,8) e Valinhos (4,9).

Revisão

Para Guilherme do Val Toledo Prado, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada (Gepec), a infraestrutura da educação oferecida atualmente deve ser revista. Segundo ele, é preciso aproximar o educador da comunidade, reduzindo o tamanho das unidades educacionais e dando condições para um trabalho a longo prazo. “Pensar grande em educação não dá certo. Os governos estadual e municipal criam uma estrutura grande que não favorece. Faz-se enormes naves mãe, escolas-piloto, mas não é isso que os estudos têm mostrado como eficiente. Quanto menor o equipamento público, mais interessante é, porque ele atua próximo à comunidade”, explica. “O binômio reduzir custos para aumentar eficiência não dá certo”, acrescenta.

Para o especialista, outra medida necessária para melhorar as condições do ensino é valorizar os profissionais. “Se tem um sistema que prima pela rotatividade do profissional e não o valoriza para que permaneça naquela unidade escolar, não tem condições da comunidade aprender a dinâmica desses professores”, enfatiza.

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Bruno Bacchetti