Publicado 11 de Outubro de 2015 - 11h59

Editoria de Artes

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A internet é um instrumento para potencializar as mídias impressas, e não para destruí-las. Esta foi a mensagem do publicitário e sócio do Grupo ABC, Nizan Guanaes, durante o evento Maximídia 2015, que ocorreu na última quarta-feira, em São Paulo.

Na concorrida palestra do publicitário, Guanaes reafirmou o protagonismo dos jornais impressos como veículos de informação e acredita que ele deve ser valorizado, pois o ambiente virtual permite que o consumidor leia os periódicos durante todo o dia.

“É um momento histórico para os jornais. E se o veículo não está tendo competência para representar esse papel, cabe ao mídia (profissional de mídia) defender isso”, afirmou durante a palestra.

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Para ele, o jornal tornou-se uma marca de mídia a partir do momento em que deixou de ser apenas impresso e passou a ser consumido em diferentes plataformas. Ele exemplificou: “Como seres humanos, somos péssimos em prever o futuro. Estamos comendo alimentos orgânicos, e não pílulas. A TV não destruiu o rádio, a televisão está desafiando o cinema com séries geniais”, ressaltou o publicitário, destacando a série Narcos, produzida pelo Netflix.

A força dos jornais precisa ser mais destacada para o mercado publicitário, segundo Guanaes. O empresário, fundador do grupo que detém agências como África, DM9DDB, Pereira & O’Dell e CDN, acredita que seja mais difícil se desligar da notícia hoje do que na era pré-internet. No entanto, os veículos precisam se adequar aos novos tempos e mudar a forma de medir sua audiência qualificada, como alguns grandes impressos já estão fazendo.

“Como está acontecendo com quase tudo, de táxi a acomodações de viagens, o jornal está migrando para o on-line. E as empresas jornalísticas estão finalmente atualizando a medição de seu impacto e audiência qualificada.”

Guanaes lembrou que a força dos jornais não está só no número de leitores, mas nas pessoas que consomem as notícias. “Quem lê jornal é o empresário, a pessoa que decide, o formador de opinião. É uma audiência engajada, que decide os rumos do País.”

Métrica única

Para ajudar a medir a audiência dos jornais de forma mais fiel, incluindo o leitor digital, uma nova ferramenta foi desenvolvida e deve começar a se usada até o final deste mês. A Métrica Única de Audiência mescla três diferentes serviços já existentes que permite que os veículos tenham uma visão mais precisa de seu público.

O novo sistema também foi apresentado no Maximídia pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ). O Instituto Ipsos, que gerencia a elaboração da métrica, é o responsável pelo Estudo Geral de Meios (EGM), pesquisa feita para aferir o número de leitores de jornais nas principais regiões metropolitanas do País.

Agora, os dados da EGM serão adicionados aos da audiência da Media Metrix, método de pesquisa mais utilizado para a avaliação de marcas na internet, produzido pela Score.

Também serão acrescentados os números do banco de dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), que audita a circulação e, mais recentemente, o número de acessos às edições digitais. “Com essa Métrica Única, os jornais poderão mostrar a agências de publicidade e anunciantes o grande e altamente qualificado público de leitores que têm”, explicou o diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira.

Pedreira destacou que a credibilidade ainda é um dos grandes trunfos dos jornais, e estudos recentes mostram que ela está crescendo. Na Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, feita pelo Ibope, 58% dos entrevistados afirmaram confiar muito ou sempre no meio jornal, contra 40% que confiam pouco ou nunca.

Na pesquisa de 2014, esses valores eram de 53% e 45%, respectivamente. Para ele, no ambiente difuso e confuso da internet, com informações muitas vezes anônimas, a credibilidade da informação jornalística ganha destaque.

“Informação jornalística é produto profissional de alta qualidade, fruto de investimentos, de critérios, de edição, de contextualização. Isso é um diferencial inigualável, sobretudo no universo da internet e das mídias digitais.”

Pedreira disse ainda que os jornais começam a aprender como faturar no meio virtual. Ainda que a receita publicitária não tenha para os jornais digitais o mesmo peso que têm no modelo do impresso, alguns periódicos já têm bons resultados com a venda de conteúdo.