Publicado 11 de Outubro de 2015 - 14h37

Por Maria Teresa Costa

Represa do Jurumirim, em Avaré, formada por barragem no Rio Paranapanema: tubulação que traria água para a região ficaria ao lado de rodovia

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Represa do Jurumirim, em Avaré, formada por barragem no Rio Paranapanema: tubulação que traria água para a região ficaria ao lado de rodovia

Cidades das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e da região metropolitana de São Paulo poderão ter seu abastecimento garantido no futuro com a água da represa Jurumirim, situada na região do Alto Paranapanema, distante 220 quilômetros da capital, quase na divisa com o Paraná. O projeto é de longo prazo para suprir a crescente demanda por abastecimento nos próximos 20 anos, segundo planos do governo do Estado, que prepara edital para contratar estudos de viabilidade e projeto básico dessa transferência de água. No chamamento de manifestação de interesse aberto em agosto, seis empresas apresentaram propostas.

Além da água do Paranapanema, o governo vai estudar também o transporte da água do baixo Juquiá, no Vale do Ribeira, como alternativas futuras para o abastecimento da macrometrópole. Em 2003, o governo de São Paulo chegou a contemplar a construção de uma usina no Rio Juquiá, mas acabou desistindo. A ideia era construir uma usina reversível no rio, a 80 quilômetros de São Paulo, capaz de gerar 1.500MW e de fornecer até 80 metros cúbicos por segundo (m³/s) de água para a região metropolitana de São Paulo. O plano previa instalar um reservatório a 900 metros de altitude, em Paranapiacaba, e outro no mar, perto da foz do Rio Juquiá, em Juquiá, produzindo energia de dia e bombeando água de volta para cima à noite.

Os estudos orientarão o governo a definir qual arranjo receberá investimento para uma solução de longo prazo. No caso de aproveitamento da represa Jurumirim para abastecer parte das Bacias PCJ, a ideia é fazer o transporte da água por uma adutora paralela à Rodovia Castelo Branco e distribuir para as cidades ao longo do percurso, segundo o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga. Essa represa, que banha dez cidades da região centro-sul do Estado, entre elas Avaré e Cerqueira César, tem água de boa qualidade e é uma alternativa de longo prazo, segundo o secretário, para garantir o abastecimento das duas regiões.

Na região de Campinas, cidades como Itu, Salto e Indaiatuba poderão receber reforço no abastecimento com a água do Paranapanema. Haverá necessidade de fazer essa água subir 300 metros para chegar à Grande São Paulo — um estudo preliminar feito em 2008 pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) indicou que seriam necessários construir 12 barragens para a formação de uma cascata de reservatórios. O problema é o elevado impacto ambiental, afetando 22,3 mil hectares de mata e o custo, que foi estimado em R$ 9 bilhões para trazer de 15 m³/s da água de Jurumirim até a estação de tratamento de água em Cotia.

Gerenciamento

O gerenciamento entre os usos múltiplos da represa — ela serve à geração de energia em usinas da empresa Duke Energy — é um dos pontos a serem abordados pelo estudo do governo. O sistema proposto preliminarmente, segundo o plano da macrometrópole, prevê a captação de água bruta na represa de Jurumirim (na cota 563,85m), recalque para a estação de tratamento de água situada nas margens da represa na cota 600m e adução por meio do Sistema de Adução Principal. O trecho inicial do sistema adutor até atingir a Rodovia Castelo Branco segue diretriz passando por Bofete, representando um desnível geométrico da ordem de 100m.

Para os pontos de entrega de água tratada, em cada localidade, operada ou não pela Sabesp, foram considerados os limites de cada área urbana. Para a RMSP o ponto de entrega d’água foi estabelecido como sendo a ETA Baixo Cotia.

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Maria Teresa Costa