Publicado 11 de Setembro de 2015 - 13h05

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Fotos: Alenita Ramirez Isabella Morales Levy (estagiária)

A Corregedoria da Polícia Civil de Campinas prendeu na manhã de ontem, o ex-policial civil Rogério Luís Salum Diniz acusado pelo sequestro de um empresário em 2001. Ele e o também ex-policial Eudes Trevisan foram acusados de integrar a quadrilha do sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, que aterrorizou Campinas no início dos anos 2000 e foi apontado como o responsável pelo assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos, em 10 de setembro de 2001. A prisão ocorreu com base em mandado condenatório expedido pela 3ª Vara Criminal. O processo corre em segredo de Justiça.

Quando eram policiais, Diniz atuava no 4º Distrito Policial (DP), no Taquaral, e Trevisan na Delegacia Antisequestro (Deas). Os dois foram expulsos da Polícia Civil em 2003 após dois processos administrativos por terem sido flagrados em gravações autorizadas pela Justiça passando informações da polícia para a quadrilha de Andinho.

Segundo a Justiça na época, a quadrilha de Andinho teria feito 19 sequestros na região de Campinas num período de dois anos. Andinho, que assumiu a autoria dos sequestros, sempre negou a sua participação no homicídio do prefeito.

Diniz e Trevisan foram condenados em primeira instância em outubro de 2006, mas eles recorreram da decisão e respondiam ao processo em liberdade até o julgamento de recursos. Em outubro de 2013 saiu a decisão de Trevisan, que foi preso e já cumpre pena pelo crime no Presídio da Polícia Civil (PPC), em São Paulo, para onde também seguirá Diniz.

Diniz estava em liberdade aguardando decisão judicial. Ele recorreu por várias vezes até que no dia 4 deste saiu a decisão definitiva e foi expedido o mandado. Ele foi condenado a 19 anos de prisão.

Apesar dos dois ex-policiais terem sido exonerados em 2003, ambos têm direito a prisão especial porque cometeram os crimes na época em que ainda eram policiais.

Segundo o delegado titular da Corregedoria, Sander Malaspina, Diniz foi preso na Avenida Moraes Salles, quando caminhava em direção ao seu comércio, que fica na via. “Ele ficou surpreso, mas não reagiu e não falou nada”, disse Malaspina.

Antes de seguir para o PPC, o ex-policial passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) de Campinas.

Caso Caraguá

Diniz e Trevisan foram dois dos sete denunciados pela chacina de quatro homens, entre eles dois sequestradores da quadrilha de Andinho, em um condomínio de Caraguatatuba, em outubro de 2001. Outros cinco policiais e carcereiros (Marcos Antônio Manfrim; Alcir Biazon Júnior; Nelson da Costa; Fábio Nunes de Arruda Campos e Sandro José da Costa) teriam participado da chacina.

De acordo com as investigações, os policiais invadiram o condomínio Maré Mansa II e mataram quatro rapazes que teoricamente estariam envolvidos no assassinato do prefeito Toninho. Entre os mortos estavam os sequestradores Anderson Bastos e Valmir Conti e Alessandro Renato Pereira de Carvalho e Fábio Soares Menengroni, ambos sem antecedentes criminais.

Na denúncia feita na 2ª Vara Criminal do Fórum de Caraguatatuba, os cinco promotores sustentam que as investigações apontam para execução previamente ajustada e também para a adulteração da cena do crime. Ainda de acordo com os promotores, tanto os policiais como os ex-policiais, agiram por “motivo torpe”.

As investigações apontaram que Trevisan e Diniz teriam participado da ação motivados por desavenças com os criminosos, enquanto o restante dos policiais e carcereiros agiram como um grupo de extermínio.

Os promotores sustentam ainda no processo que os policiais “utilizaram-se de recurso que dificultou a defesa das vítimas, alvejando- as principalmente na cabeça enquanto estavam deitadas, dormindo”.

Diniz e Trevisan localizaram Anso e Valmir pela análise dos telefonemas que grampearam, fornecendo as informações para que eles fossem pegos de surpresa na ação dos policiais.

Para assegurar a ocultação dos homicídios praticados, os réus, ainda segundo o MP, eliminaram Alessandro e Fábio, que poderiam ser testemunhas, e agiram de surpresa.

Os processados também alteraram o local do crime para induzir a erro o juiz e o perito que viessem a atuar na apuração do caso”. Laudos da exumação dos corpos realizada em Campinas em outubro de 2004 e levantamentos do local feitos na época do crime, na Rua Paulo da Silva Porto, número 811, casa 10, bairro Prainha, comprovariam essa tese.

Os policiais teriam realizado “disparos em sentido contrário, de dentro para fora do quarto, com o único propósito de construir uma tese de legítima defesa para justificar sua ação criminosa, na verdade, uma sumária execução”. (Com colaboração do Correio.com)

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Alenita de Jesus