Publicado 11 de Setembro de 2015 - 14h03

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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A chuva que caiu no Sistema Cantareira nos primeiros onze dias de setembro superou em 3,3% o volume esperado para o mês. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) as precipitações sobre o conjunto dos reservatórios, até ontem, somaram 89,5 milímetros (mm), enquanto a média histórica de setembro é de 86,6 mm. A quantidade de água que entrou no sistema foi de 34 m3/s nos últimos três dias, mas será preciso que esse volume de chuva se mantenha por 650 dias e que as retiradas máximas para abastecer a Grande São Paulo e região de Campinas fiquem em 14 m3/s para que haja a recuperação dos reservatórios, segundo o Consórcio PCJ.

“Um cenário de forte precipitação durante todo o ano é quase impossível de ocorrer, o que pode fazer com os reservatórios do Sistema Cantareira passem ainda alguns anos operando em volume críticos”, disse o coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad.

O sistema operou ontem com 15,7% da capacidade, uma elevação de 0,1 ponto percentual em relação a quinta-feira. Foi a quarta vez, neste inverno, que o nível de água subiu, mas ainda não conseguiu recuperar o volume morto que vem sendo retirado dos reservatórios desde maio do ano passado.

O manancial, no entanto, ainda vive crise. De acordo com o cálculo negativo do Cantareira, responsável por abastecer 5,2 milhões de pessoas na capital e Grande São Paulo, os reservatórios do sistema operam com - 13,6%, ante - 13,7% no dia anterior. Já segundo o terceiro índice, o manancial está com 12 2% da capacidade, contra 12% na quinta-feira.

Até o começo oficial da primavera, no dia 23 de setembro, mais duas frentes frias e outras áreas de instabilidade vão passar sobre São Paulo trazendo mais chuva para os mananciais. Porém, as reservas do Cantareira ainda não vão atingir o nível de normalidade.

As chuvas, no entanto, ainda não tiraram a região de Campinas da situação de escassez hídrico, alerta o Consórcio PCJ. Segundo a entidade, as fortes chuvas causam estragos nas cidades e problemas de alagamentos, devido à ineficiente drenagem urbana, elevam as vazões dos rios, mas não recarregam o lençol freático, espécie de rios subterrâneos que alimentam rios e nascentes, na mesma intensidade. Um levantamento preliminar do Consórcio PCJ atenta que das chuvas que estão ocorrendo, em torno de 30% a 40% do volume dessa água é efetivamente absorvida pelo lençol freático, promovendo a sua recarga.

Diante desse cenário, a entidade intensificou o apelo junto aos municípios para realizarem toda obra possível para armazenar a água das chuvas que estão ocorrendo. Uma alternativa barata e de fácil construção são as bacias de retenção, que recarregam o lençol freático, além de evitar erosão na zona rural.

As bacias de retenção, também conhecidas como bacias de captação ou cacimbas, podem ser construídas tanto em área urbana ou rural, sendo mais comum ao lado de estradas vicinais. A localização delas é definida tecnicamente em função do declive do terreno, da área de exposição, tipo de solo e volume de precipitação local.

Durante todo ano, porém com mais expressão no decorrer da estação chuvosa, que ocorre entre os meses de outubro a março, as bacias armazenam as águas das chuvas, que por infiltração através dos horizontes do perfil do solo vão abastecer o lençol freático, aumentando o potencial dos mananciais e nascentes.

ELEMENTO

Cantareira – 15,7%

Rio Atibaia – 42,9 m3/s

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Maria Teresa Costa