Publicado 10 de Setembro de 2015 - 20h01

Por Sheila Roseli Vieira Leite

Os setores produtivos, de serviços e comercial de Campinas temem os efeitos do agravamento da crise econômica, que sofreu novo abalo com o anúncio do rebaixamento do Brasil na classificação, alta do dólar e anuncio de aumento dos impostos. Representantes locais do setor industrial estão apreensivos e prevêem mais desemprego na região em função da redução dos investimentos e da queda brutal na demanda, fatores que afetam toda a cadeia produtiva. As atitudes adotadas pelo governo foram consideradas recessivas e que complicam, ainda mais, os efeitos da crise para as industrias independentemente do porte e ramo de atividade. No período de abril a agosto deste ano 4,350 mil postos de trabalho foram fechados nas empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e cidades vizinhas, aponta o diretor do Centro das Industrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas, José Nunes Filho.

No comércio as projeções são igualmente desanimadoras. De acordo com o economista da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Laerte Martins, as taxas de juros e a inflação devem subir prejudicando o poder de compra da população e conseqüentemente afetando a atividade comercial. A perspectiva é de uma retração ainda maior para outubro, com os bancos segurando empréstimos. Tudo indica que o consumo irá despencar em função da insegurança no mercado de trabalho, enfraquecimento da moeda e baixa confiabilidade nas medidas do Governo. Os efeitos da crise no setor de serviço, como a área bancária, vão implicar em aumento nas taxas e no custo do dinheiro para empréstimos, válvula de escape recorrida pela população em tempos de desemprego e arrocho econômico. A busca por alternativas para o aumento de receita também vai pesar no bolso do contribuinte. “Economicamente o governo está seguindo o caminho que a economia indica. Aposta no alongamento do receita e possivelmente vá mexer nas taxas do Imposto de Renda. É uma solução ruim para nós. Deveriam priorizar a diminuição dos gastos públicos”, analisa Martins.

O prefeito de Campinas, Jonas Donizete (PSB) está preocupado com o desdobramento das medidas que serão implantadas pelo Governo, que devem gerar enfraquecimento da atividade econômica, queda no consumo e desemprego agravando o ciclo da recessão. O chefe do Executivo, que é contra o aumento da carga tributária, esteve anteontem em um evento com a presença do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e conta que o discurso agora é de convencimento da necessidade do aumento dos impostos. “A todo momento o ministro justificava que a medida era necessária para que o país não perdesse o grau de investimento. Entretanto, o rebaixamento foi anunciado no mesmo dia”, conta. Donizete disse, ainda, que o enfraquecimento político do Governo deve afetar o lançamento da terceira fase do Minha Casa Minha Vida, prejudicando a diminuição do déficit habitacional que hoje é de 60 mil unidades na cidade.

O Brasil passa por um pesado ajuste fiscal, que somado a uma recessão profunda coloca todos os setores da economia em situação difícil. O conjunto de medidas para cortes de despesas e controle das contas públicas, que será adotado pelo governo, vai prejudicar a população mais pobre e é visto com preocupação pelos economistas. “Do ponto de vista técnico são medidas que deveriam ter sido adotadas desde 2006. Uma alternativa viável para aumento de receita é a reforma tributária com aumento progressivo por renda. Cobrar mais dos mais ricos”, sugere o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual (Unicamp) de Campinas. A inflação galopante só deve perder para os índices de 2002, quando chegou a 12%, por outro lado, a projeção de crescimento negativo com retração entre - 2% e - 3% de Produto Interno Bruto (PIB) superou todas as crises desde meados da década de 1990.

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Sheila Roseli Vieira Leite