Publicado 10 de Setembro de 2015 - 17h32

Por Alenita de Jesus

ÍíAlenita Ramirez

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Fotos: Alenita Ramirez

moradores e comerciantes do Proost Souza

Galho de árvore caído na Praça Roma Palozzi Brásio, na Vila Aurocan, e galho caído na Rua Moysés Lucarelli, no bairro de Cidade Universitária

Cerca de 30 imóveis, inclusive um prédio residencial, em Campinas, ficaram em uma ilha de escuridão desde as 18h da última terça-feira, quando ocorreu o forte temporal que derrubou árvores, destelhou barracões e deixou milhares de consumidor sem energia elétrica na região, até por volta das 15h de ontem. Nas 45horas que ficaram sem a luz, moradores e comerciantes de um quarteirão da Avenida José Pancetti, com Rua Egydio Bulgarelli, na Vila Proost Souza, tiveram que recorrer a vela para iluminar a casa, banho de canequinha, para esquentar, e a um quiosque de lanches localizado em uma praça do outro lado da calçada para carregar a bateria do celular. Além disso, a maioria perdeu carnes, frios e gelados. Segundo a CPFL Paulista, até as 16h de ontem, ao menos 8.900 mil consumidores na região, sendo dois mil em Campinas, continuavam sem energia elétrica.

Na Avenida José Pancetti, um empório de produtos naturais teve uma perda de cerca de R$ 1,5 mil em sorvetes, sucos e tortas. Além disso, o local deixou de atender vários clientes por conta da maquininha de cartão, pois sem a luz não tinha como carregar o equipamento para fazer os débitos. “Só vendas a vista e o movimento caiu”, desabafou uma vendedora de 19 anos. “Cansei de ligar na CPFL. Agora, o 0800 da companhia nem atende mais, só musiquinha”, completou.

Uma mecânica na mesma via está com três carros “presos” no elevador. Um Citröen C3 está pronto desde anteontem, mas a entrega para o cliente não pode ser feita porque o veículo está no elevador. Um outro carro não pode ser consertado porque o elevador parou na metade e os mecânicos não conseguem mexer na parte de baixo do veículo. “Estou em falta com os meus clientes. Tinha que entregar um dos carros amanhã (hoje) e ainda nem mexi nele. Sem contar que não pude pegar mais carros porque não tenho como trabalhar sem energia elétrica”, disse o mecânico Murilo Caumo da Fonseca, de 26 anos.

O técnico em eletrodoméstico Alexandre Smidi, de 44 anos, está há três dias sem trabalhar. Ele depende do telefone e da luz para fazer os contatos com os clientes. “Trabalho em casa e como minha casa ficou ilhada não consigo pegar serviços”, comentou.

Com a forte ventania da terça-feira, uma árvore localizada do lado oposto da via foi derrubada. Com o peso, ela puxou a fiação e o poste por pouco caiu. A distribuição de energia elétrica foi restabelecida na madrugada da quarta-feira para os demais moradores do bairro, mas para as casas e comércios do outro lado da via ficaram na escuridão. “Ligamos todo o tempo para a CPFL e em todas as ligações eram feitas promessas de retorno, mas até agora nada. Essa situação não pode se estender mais”, desabafou Smidi.

Para dar uma força aos vizinhos, o casal de comerciantes José Benedito de Moraes, de 59 anos, e Regina Lopes, de 54 anos, que tem um quiosque de lanches na praça que corta a Rua Egydio Bulgarelli, deixou o pessoal carregar a bateria do celular no local. Anteontem, ao menos 10 vizinhos levaram os aparelhos na banquinha. “Temos cinco tomadas e teve gente que precisou esperar um pouco. Alguns deixavam carregar por uns 15 minutos e pegavam o celular”, disse Moraes. “A gente tem que ajudar”, frisou Regina.

Em nota, A CPFL Paulista informou que tem ciência dos casos de falta de energia e o trabalho de recuperação do sistema elétrico seguirá, com todas as equipes mobilizadas até o completo restabelecimento do serviço. Em alguns locais de difícil acesso, como redes rurais, onde ocorreram problemas com quedas de árvores ou alagamento o atendimento está encontrando mais dificuldades. A previsão é que grande parte desses clientes seja restabelecida o mais breve possível.

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Alenita de Jesus