Publicado 09 de Setembro de 2015 - 17h07

Por Alenita de Jesus

Alenita Ramirez

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Fotos: Leandro Divulgação da região

Campinas e região amanheceram ontem com o cenário de devastação, provocado pela forte tempestade com ventos que chegaram a 98,3km/h. As ocorrências mais comuns nas cidades foram queda de árvores, de muros, de postes, falta de energia e alagamentos. Não houve vítimas. A situação mais grave ocorreu em Paulínia, onde a ventania arrancou cerca de 20 toneladas de ferragens da cobertura de zinco de um barracão desativado e tombou um caminhão-tanque de combustível vazio. Segundo a CPFL Paulista, até as 10h30 de ontem, 70,6 mil consumidores estavam sem energia elétrica em quatro cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) atendidas pela empresa. Por conta do alto índice pluviométrico, a Defesa Civil decretou estado de atenção para nove cidade da região, sendo quatro delas da RMC: Campinas, Sumaré, Monte Mor e Pedreira. Esta classificação, segundo o órgão, ocorre por conta do risco de deslizamento de terra.

Em Campinas, a Prefeitura criou uma força-tarefa e mobilizou 150 trabalhadores da Secretaria de Serviços Públicos e das quatro Subprefeituras para a retirada de árvores e galhos e limpeza das vias e das calçadas. Estima-se que houve ao menos100 toneladas de material para serem recolhidos nas vias. O trabalho deve durar entre três e quatro dias. Segundo a Defesa Civil, em um período de 24h da terça-feira – até as 19h -, foram registrados 85 milímetros de chuvas, volume superior aos 64,4 milímetros esperados para todo o mês de setembro. Segundo o coordenador regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado, a cidade não tinha tempestade desta magnitude há pelo menos dois anos. Em contrapartida, o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) registro em um período de 72 horas, entre segunda e terça-feira, 79,7 mm de chuva. “A nebulosidade está variável, com possibilidade de chuva esporádica até amanhã (hoje) e na sexta-feira há possibilidade de chuva mais intensa e temporal, com ventos mais fortes”, disse a meteorologista Ana Ávila.

A precipitação mais importante de anteontem ocorreu por volta das 16h30, com cerca de 20 minutos de duração.

A região de Campinas que mais sofreu com o temporal foi a Leste, que engloba o Centro, Cambuí, Taquaral, Sousas e Jardim Conceição entre outros bairros. Até às 10h de ontem, a Prefeitura havia recebido 128 solicitações para remoção de árvores – inclui árvores inteiras e galhos. Também foram registrados dez pontos de alagamento, 72 quedas de árvores e duas quedas de muro, na Vila Industrial e no Botafogo. Não houve vítimas, nem ocorrências de residências interditadas ou pessoas desabrigadas. “Apesar do forte temporal, não houve transbordamento de córregos e nem destelhamento de casas por Campinas, apenas alagamentos provocados por retorno de esgoto e de bueiros”, frisou Furtado.

Em Campinas, ao menos 15 mil pessoas dormiram e acordaram sem energia elétrica, segundo a CPFL. Sumaré foi a cidade mais afetada em termos de queda de energia, com 30 mil consumidores, seguida de Americana com 23 mil pontos.

Além de todo aparato da Secretaria de Serviços Públicos de Campinas, foram mobilizadas cinco equipes da Defesa Civil, uma para cada região da cidade. O trabalho destes profissionais consiste na vistoria de áreas atingidas por alagamentos e outras ocorrências e no acompanhamento meteorológico. Também estão envolvidas equipes das Secretarias de Urbanismo e de Cidadania, Assistência e Inclusão Social.

Durante a tempestade, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campina (Emdec) registrou problemas em 37 semáforos, por conta da falta de energia elétrica. Todos foram restabelecidos na manhã de ontem, com exceção de alguns pontos que foram solucionados ao longo do dia por conta da falta de energia elétrica. Nestes locais foram mantidos os agentes da Mobilidade Urbana

Durante o temporal, segundo a Emdec, foram envolvidos 64 profissionais da Emdec, sendo 50 agentes da Mobilidade Urbana, cinco equipes semafóricas e nove operadores na Central de Controle Operacional (CCO). “O lado positivo desta chuva é que choveu bem na região de mananciais”, frisou Furtado.

Segundo Ana Ávila, a linha de instabilidade, que é a faixa de nuvens com tempestade, atingiu todo o estado, da sudoeste para a nordeste. Esta instabilidade, segundo a meteorologista, não e frequente e tem relação com contraste de massa de ar quente e fria. Esta tempestade superou a registrada no dia 8 de março deste ano, quando no período de 24h foi registrado 62,8mm chuvas e ventos fortes, com muitas quedas de árvores.

RETRANCA 1

Ontem foi dia de transtorno para moradores e faxina para servidores públicos de Campinas. Na Vila Industrial, em Campinas, uma Tipuana de cerca de 100 anos, caiu sobre parte do muro da Estação Cultura durante a tempestade. A árvore faz parte de outras plantadas no local e integra o patrimônio tombado na Rua Francisco Teodoro. Outras três árvores no pátio da Escola Estadual Professor Vilela Júnior, ao lado da Tipuana, também caíram. Uma delas, teve apenas a queda de galhos, sobre a fiação elétrica. A queda nas árvores no local levou pânico aos trabalhadores. “Eu quase morri de susto. Fiquei preso na minha banca e não podia sair do local. Vi sair fogo da fiação e vi as árvores indo para o chão”, disse o comerciante Nelson Tonocchi.

Na Avenida Diogo Alvares com a Júlio Soares de Arruda, no Parque São Quirino, uma árvore caiu e derrubou um poste de iluminação. A árvore ficou com parte da copa na via e os motoristas tiveram que ter a atenção redobrada.

O caso mais grave na região do Taquaral, foi a queda de um Fisco de mais de 30 anos, na Avenida Lafayete Arruda Camargo. A copa caiu em frente a uma clínica veterinária e de uma residência e interditou os dois imóveis. “Temos dois carros e tivemos que guardá-los em casa de amigos, pois o portão da garagem não podíamos abrir”, contou a dona de casa Gláucia Gasparini, de 70 anos.

A vizinha dela, uma veterinária, conseguiu sair de casa com ajuda de amigos, que colocaram uma escada no muro. A mulher mora nos fundos e na parte da frente funciona a clínica.

Os moradores estava sem energia desde as 16h da terça-feira.

Por conta da queda do Fisco, moradores da via ficaram sem energia por quase 24h e tiveram transtornos. Um restaurante self-service nas proximidades teve que improvisar para atender os clientes. Sem poder usar a balança e também o réchaud (utensílio que mantém a comida aquecida), a comerciante Iara Gomes Pinhal, de 48 anos, teve que vender a refeição pelo sistema prato feito ou executivo. Iara também teve que pedir auxílio nas proximidades para carregar as máquinas de cartão. “Só em sorvete tive uma perda de R$ 2,5 mil. Foi assustadora a tempestade. As ruas ficaram alagadas”, contou a comerciante.

Até o Centro de Oncologia de Campinas, no distrito de Barão Geraldo, foi afetado com a queda de energia. Por volta das 10h30 de ontem, galhos de árvores atingiram a fiação e levou a unidade a ficar sem fornecimento de luz. A CPFL foi acionada e prometeu restabelecer a energia até final da tarde de ontem. (AR)

RETANCA 2

Paulínia

Paulínia foi uma das cidades da região mais afetada pela forte tempestade da tarde de terça-feira. O dia de ontem foi de contabilizar os prejuízos. A forte ventania, que atingiu a velocidade de 98km/h, derrubou postes, destruiu um restaurante, destelhou um barracão desativado da Scarpak, feriu uma funcionária terceirizada da AmBev, todos no bairro Cascata, e ainda tombou um caminhão-tanque vazio.

Segundo a Defesa Civil da cidade, a velocidade do vento foi registrada pela Estação de Meteorologia da Refinaria de Paulínia (Replan). Já as estações de meteorologia da Defesa Civil registrou 40 milímetros de chuva das 16h30 da terça-feira às 2h da madrugada de ontem.

A Defesa Civil local atendeu neste período mais de 75 chamados. Houve a queda de pelo menos 61 árvores. A região central foi a mais prejudicada. Diversos bairros ficaram sem energia elétrica.

Houve casos de árvores derrubadas e energizadas, veículos atingidos por árvores, moto atingida por galho de árvore, postes da CPFL derrubados, pontos de alagamento, casas destelhadas e destelhamento parcial dos barracões da Ambev e da antiga Scarpak, desativada há 15 anos. “Eu estava no pátio da empresa quando olhei no céu e vi um cone, tipo um tornado, se levantando na região do bairro Marieta Dian. Em poucos minutos chegou a nós. Corri para um local seguro e me tranquei”, contou o caseiro da antiga Scarpak, Bigair Rodrigues de Souza, de 57 anos.

A ventania com chuva forte durou cerca de 15 minutos e arrancou maior parte da cobertura do prédio. A cobertura pesava cerca de 20 toneladas e teve telhas de zinco que foram lançadas em uma distância de 800 metros do prédio. “Nunca vi tempestade como esse. Fiquei com muito medo”, disse Souza.

O barracão da Ambev que fica ao lado teve o muro derrubado pela ventania e um destelhamento parcial. Uma funcionária ficou ferida e foi socorrida pelo resgate do Corpo de Bombeiros, sem risco de vida. Em nota, a companhia informou que prestou todo apoio a funcionária, que sofreu escoriações leves. “A empresa está trabalhando para que as operações sejam normalizadas o mais rápido possível e afirma que o abastecimento dos pontos de venda não será afetado por conta do ocorrido”, frisou nota.

Os barracões ficam na Avenida Madri e ao menos noves postes de iluminação foram derrubados por conta da ventania.

Na avenida Sidnei Cardon, também no bairro Cascata, um restaurante foi destruído. No momento havia cinco clientes e três funcionários no local. Por sorte, ninguém ficou ferido. As pessoas se esconderam no banheiro e em outro cômodo do local. “Foi assustador. A cobertura levantou para cima. Na hora só pensei em meus três filhos que estavam em casa”, contou a auxiliar de cozinha Ivonete de Oliveira, de 37 anos.

O dono do restaurante, Jânio Pereira Lima, de 43 anos, calcula prejuízo em torno de R$ 60 mil. Para manter o negócio ativo e pagar os gastos, Lima teve que alugar um barracão ao lado. “Ainda bem que ninguém se machucou. Eu chegava no local quando vi um vento em circulo no céu e a cobertura do restaurante se levantando. Foi assustador”, disse Lima.

Próximo ao condomínio Terras do Cancioneiro, seis postes caíram em cadeia deixando a região sem fornecimento de energia. Também houve relatos de falta de água. (AR)

RETRANCA 3

Região

Em Santa Bárbara dOeste foram registrados diversos pontos de alagamentos, a queda de sete postes e de 21 árvores, segundo a Defesa Civil da cidade.

Já em Americana, até as 10h30 de ontem, ao menos 23 mil consumidores estavam sem energia elétrica. A forte chuva danificou estruturas de escolas da Rede Municipal de Ensino de Americana e levou algumas delas a cancelar as aulas.

No Ciep São Vito, o vento forte provocou destelhamentos no banheiro dos professores, na secretaria e em três salas de aulas. Algumas árvores, no interior da escola, caíram. As aulas não foram suspensas.

Na Emef Florestan Fernandes um ipê-roxo que estava na calçada da escola caiu e danificou o alambrado. Uma calha que ficava na biblioteca e sala de artes soltou com a ventania e provocou infiltração no meio da sala. Não houve danos, mas objetos foram retirados na direção da goteira.

No Ciep Zanaga as aulas foram suspensas devido à falta de energia elétrica. Várias árvores caíram no interior da escola. A sala de informática foi parcialmente inundada e a água no local subiu cerca de 20 cm. Os equipamentos não foram atingidos. Duas salas de aula ficaram cheias de água.

Dois ginásios foram interditados pela Secretaria de Esportes de Americana. O forte vento arrancou as telhas dos Ginásios Roberto Polati (Bairro Antônio Zanaga) e Luiz Meneghel (São Vito).

Em Valinhos, a Defesa Civil registrou a queda de nove árvores, a maioria em vias públicas, nos bairros Fonte Mécia, Vila Santana, Joapiranga, Jardim Pinheiros, Jardim Imperial e também nas avenidas Paulista e Dom Nery, Rodovia dos Andradas, além de um exemplar no condomínio Reserva Colonial sobre uma residência, mas sem vítimas. Além disso, houve a queda de um alambrado na Praça da Juventude, no Jardim Paraíso.

Segundo o diretor do Departamento de Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil, Eduardo Matias, o vento na cidade chegou a 90km/h.

Houve queda de energia elétrica em vários pontos da cidade e até ás 10h de ontem, 10 mil clientes ainda estava sem energia. O município registrou 70,2 milímetros de chuva.

Em Sumaré, a Defesa Civil registrou ventania de 80km/h e indíce de 47,2 milíletros de chuva. O Corpo de Bombeiros recebeu 138 ligações. Uma casa na região central da cidade foi alagada. Ninguém ficou ferido.

Escrito por:

Alenita de Jesus