Publicado 09 de Setembro de 2015 - 15h52

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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O volume de água armazenado no Sistema Cantareira foi elevado em 0,4 ponto percentual em decorrência das chuvas que caíram no sul de Minas Gerais, onde estão as nascentes dos rios represados no sistema, e na região dos reservatórios. Foi a primeira elevação em 44 dias, segundo boletim da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), operadora do sistema. O nível dos reservatórios saltou de 15% na terça-feira para 15,4% ontem. Choveu 45,8 milímetros na região dos reservatórios, elevando para 65,5 mm o acumulado de chuva em setembro, que representam 75,6% do esperado para o mês.

A situação dos reservatórios, no entanto, ainda não é de tranquilidade. A água que está sendo retirada para abastecer a Grande São Paulo e a região de Campinas vem do volume morto, da primeira cota, e a chuva de ontem que aumentou o nível foi apenas a terceira elevação ocorrida no inverno, estação de estiagem.

Segundo o índice negativo do sistema, que considera o volume armazenado menos a reserva técnica pelo volume útil, o Cantareira teve alta e passou de -14,3% para -13,9%. Já no terceiro conceito subiu 0,3 ponto porcentual e está em 11,9%. Esse indicador avalia a divisão do volume armazenado pelo volume total de água somado às duas cotas de volume morto.

Com mais água entrando no sistema, a liberação para a Grande São Paulo e região de Campinas foi reduzida ontem, visando segurar nas represas o máximo possível. Assim, as bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que estavam recebendo 4 metros cúbicos por segundo (m3/s) na terça-feira, passaram a receber 2,07 m3/s ontem e a Grande São Paulo caiu de 6,5 m3/s para 2,46 m3/s.

Para o especialista em recursos hídricos, José Henrique de Toledo, além de atitudes da população de economia de água, os gestores do sistema devem aproveitar as chuvas, que aumentam a vazão dos rios a partir dos afluentes, para segurar água no Cantareira. “Não temos garantias que a Primavera e o Verão serão chuvosos e podemos chegar em 2016 com situação muito mais preocupante”, afirmou.

De acordo com as regras de restrição definidas pela Agência Nacional de Água (ANA) para o enfrentamento da crise hídrica, se as vazões das Bacias PCJ cairem mais, as captações para abastecimento e para consumo animal devem ser reduzidas em 20%. Para irrigação e indústrias, a redução é de 30% e para os demais usos a captação é interrompida. As bacias abastecem 47 municípios do Estado de São Paulo. Cidades como Campinas, Americana e Bragança Paulista são abastecidas por elas.

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