Publicado 09 de Setembro de 2015 - 15h51

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Acordo que será assinado amanhã entre a Agência das Bacias PCJ, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) e a Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa) vai permitir o desenvolvimento de estudos para tornar potável a água de reúso produzida da Estação de Tratamento de Esgoto Capivari II, em Campinas. A intenção é que o esgoto tratado possa ser inserido na rede de abastecimento público de forma segura à população e ajude no enfrentamento da crise hídrica. Os resultados do estudo trarão os parâmetros necessário de tratamento da água do esgoto para que possam ser aplicados em todos os municípios das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

Atualmente, uma parte da água resultado do esgoto tratado na ETE Capivari II é fornecida ao Aeroporto Internacional de Viracopos e outra parte é despejada no Rio Capivari. Segundo o diretor-presidente da Agência de Bacias, Sérgio Razera, a legislação atual não permite que a água de reúso seja levada diretamente na rede de abastecimento. “A ideia é que a água seja tratada a ponto de atender a legislação sobre potabilidade da água e ao final seja produzida uma minuta de lei para serem encaminhadas aos órgãos gestores e aos conselhos de recursos hídricos visando a alteração da lei”, explica

A Sanasa pretende levar o esgoto tratado na Estação Produtora de Água de Reúso (Epar) a uma estação de tratamento de água que será construída ao lado, tratar a água para atingir as qualidades exigidas por lei e depois distribuída à população. Os estudos encomendados irão definir a melhor forma de fazer isso e os parâmetros de tratamento para que a água tenha a qualidade exigida por lei.

O tratamento do esgoto feito pela Sanasa produz, segundo a empresa, uma água com 99% de pureza - membranas ultrafiltrantes são usadas no tratamento de efluentes. São fibras ocas com porosidade nominal de 0,04µm (micras), milhares de vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo. Essa tecnologia, importada da Hungria, permite a remoção de vírus, bactérias, sólidos e nutrientes, deixando a água com 99% de pureza para reúso industrial. A operação é totalmente automática e com baixo consumo de produtos químicos.

Como esse tratamento retira tudo da água, inclusive os minerais, será preciso ter um reservatório para fazer o balanceamento químico, que poderá ocorrer com a mistura da água de reúso e água potável e a adição de produtos químicos. É um processo mais econômico de abastecimento porque o custo de uma rede de água representa dois terço do custo total de abastecimento.

O processo de tratamento dos efluentes, bastante usado em outras partes do mundo, é sofisticado e bem mais caro que os atualmente existentes no Brasil, será quantificado e detalhado tecnicamente para que todas as empresas de água e esgotos das Bacias PCJ e do país possam ter conhecimento e possam decidir sobre a sua aplicabilidade em seus municípios.

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