Publicado 09 de Setembro de 2015 - 15h51

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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A chuva parou ontem e os reflexos foram imediatos sobre os mananciais das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O Rio Atibaia iniciou o movimento de queda na vazão, e registrou um volume de água de 38,9 metros cúbicos por segundo (m3/s) passando pelo posto de monitoramento de Valinhos, uma redução de 23,3% em relação a terça-feira. No posto acima de Paulínia, a vazão registrada foi de 49,84 m3/s, 37,2% a menos que no dia anterior quando o rio, nesse posto, ficou em estado de alerta de alagamento.

gSem reservatórios de água bruta, perdemos a chance de armazenar a água a mais que passou por nossos rios na terça-feira para enfrentar os períodos de seca”, disse o engenheiro sanitário Cláudio Pereira dos Santos, da Água Para Todos, uma ONG que desenvolve projetos de educação ambiental. “São obras de médio prazo, caras, mas que trazem mais tranquilidade ao abastecimento das cidades”, disse. A implantação de reservatórios é uma orientação do Consórcio das Bacias PCJ para o enfrentamento da crise hídrica.

A implantação de duas represas nos rios Camanducaia, em Amparo, e no Rio Jaguari, entre Pedreira e Campinas, deveriam ter sido iniciadas no mês passado, de acordo com o cronograma do Departamento de Água e Energia do Estado (Daee), mas até o edital de licitação nem foi publicado. O Ministério das Cidades informou que analisa os documentos entregues pelo governo do Estado. Esses reservatórios ampliarão em 7 metros cúbicos por segundo (m3/s) a oferta de água na região de Campinas. O adiamento poderá comprometer ainda mais a segurança hídrica da região, que depende do Sistema Cantareira para seu abastecimento. Os reservatórios estão orçados em R$ 760 milhões e será necessário, ainda, recurso para a construção do sistema adutor, orçado em R$ 346 milhões, para distribuir a água das represas aos municípios.

Campinas tem planos de construir um reservatório. A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) está em vias de concluir a análise de dois estudos – um de viabilidade técnica e outro de estruturação financeira – para a construção de um reservatório de água bruta com capacidade de armazenamento de cerca de 15 bilhões de litros, capaz de dar autonomia de abastecimento de 50 dias à cidade. A implantação de um reservatório próprio, segundo os estudos, é projeto de longo prazo, com custo estimado em mais de R$ 150 milhões e que deverá ocorrer na divisa de Campinas e Valinhos.

Os técnicos da Sanasa avaliam o estudo feito pela Irrigart Recursos Hídricos e Meio Ambiente, empresa contratada pela Prefeitura no ano passado para apontar alternativas de áreas para a implantação do reservatório. Ele avaliam também os estudos para a estruturação de parceria publico-privadas para viabilizar os investimentos privados no empreendimento, apresentados pela empresa Aegea Saneamento, que gerencia ativos de saneamento por meio de várias concessionárias. Além da estruturação financeira, a Aegea também fez estudos para a criação de condições institucionais e econômico-financeiras de atuação da Sanasa em projetos associados na área de saneamento básico e ambiental em Campinas.

RETRANCA

Na região de Campinas vários projetos de barragens estão em andamento. Indaiatuba está construindo uma barragem com capacidade para 880 milhões de litros de água (metade dela no bairro Mirim, em Indaiatuba, e a outra metade, no bairro Friburgo, em Campinas). O investimento, de R$ 30 milhões, vai assegurar o abastecimento da por pelo menos 30 anos.

Em Capivari, por exemplo, onde existe uma represa construída na década de 60, no Ribeirão Água Choca dentro da Fazenda Miliã, e que fornece 25 litros por segundo, há projetos para a construção de dois novos reservatórios. O abastecimento da cidade, além da represa existente, é reforçado por vários poços profundos. Em Jundiaí um reservatório ajuda no abastecimento e está em projeto a ampliação do lago que hoje ocupa 1 milhão de metros quadrados, com um volume de 5,5 bilhões de litros. Essa ampliação, que vai exigir investimentos de mais de R$ 10 milhões, deve chegar a 12,5 bilhões de litros, o que proporcionará a regularização do abastecimento da cidade pelos próximos 40 anos.

Em Nova Odessa, a água distribuída à população é captada em mananciais próprios há mais de 40 anos, em seis represas. A Prefeitura têm as autorizações ambientais e busca recursos externos para a construção de duas novas represas na bacia do Córrego Recanto e uma no Córrego Palmital, para ampliar a reserva. Há projetos para o barramento do Rio Capivari-Mirim, com ampliação em 316 l/s das captações para a região de Indaiatuba, que poderá ainda aumentar em 900 l/s com o barramento do Rio Piraí, para ajudar no abastecimento de Indaiatuba, Salto, Itu e Cabreúva.

ELEMENTO

Cantareira – 15,4%

Rio Atibaia – 38,9 m3/s

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Maria Teresa Costa