Publicado 08 de Setembro de 2015 - 16h48

Por Adagoberto F. Baptista

Nova Odessa

Falta de espaço leva Nova Odessa a velar corpo até na cozinha

Lauro Sampaio

A falta

A falta de espaço no Velório Municipal de Nova Odessa tem gerado muitas reclamações dos moradores e o caso já chegou a Câmara Municipal, que cobra providências da Prefeitura.

Fundado em 1981 e com apenas duas salas fixas destinadas para a cerimônia fúnebre,o velório municipal nem sempre comporta abrigar todos os falecidos da cidade de um mesmo dia para "o último adeus" e, segundo a ex-administradora do estabelecimento, Luclelene Della Ponta Araújo (PSDB, conhecida como Lú da Funerária, o problema acontece porque o prédio ficou pequeno e a população aumentou. Em média, na cidade morrem cerca de 32 pessoas por mês. "Quando falecem mais de três pessoas no mesmo dia, é necessário usar a sala de descanso e, em último caso, até uma salinha sem muita ventilação que antigamente era usada para o preparo dos corpos". Essas salas extras são usadas apenas para velórios temporários, porque logo quando as outras alas são desocupados o corpo é tranferido de local no velório. "A sala que era usada para preparo dos corpos é muito pequena e não tem ventilação. Como fazer um velório lá?:", indagou Lú da Funerária.

A ex-administradora, que apresentou um requerimento na Câmara cobrando providências, relata que até hoje é usada uma medida inusitada para abrir vagas de velório na cidade. Quando todas as alas do estabelecimento municipal já estão ocupadas, a direção chama o familiar do falecido e pede para o velório ser transferido para alguma igreja da cidade- de preferência do ramo religioso seguido pelo falecido. Neste ano, dois jovens que morreram num acidente de trânsito na cidade tiveram que ser velados no ginásio municipal do Jardim Santa Rosa, por causa da falta de espaço e do grande número de pessoas que compareceram

"Se, caso os familiares do falecido não aceitem fazer a cerimônia o corpo em outro lugar, a medida adotada é acelerar o velório de alguém para, assim, desocupar mais rapidamente alguma sala do local e abrir vaga. "Isso já aconteceu em minha gestão como administradora do velório, de termos que adiantar um velório e o sepultamento para um outro corpo chegar e ser colocado no local", conta Lú.

"O velório tem que acompanhar o crescimento populacional, se a população cresce obviamente que mais pessoas vão morrer também. O velório já ficou acanhado, até para receber parentes e amigos dos falecidos".

Até na cozinha

A ex-administradora conta que o local também enfrenta problemas de goteira quando chove forte.

A vereadora revelou que o projeto da reforma do velório municipal foi orçado em R$ 250 mil e contempla obras de ampliação e de construção de espaços de acesso para portadores de necessidades especiais, como rampas e banheiros.

O vereador Celso Gomes dos Reis Aprígio (PSDB) disse que, em 2012, presenciou um fato bizarro no local, pois estavam sendo velados quatro corpos, sendo que um deles estava na cozinha. "Foi uma situação lamentável", contou o vereador.

Prefeitura confirma que há transferência de corpos no velório

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Nova Odessa informou que existem duas alas no velório municipal e ainda existem outras duas menores que funcionam como apoio. De acordo com a nota, quando é necessária a utilização dessas salas, o procedimento é adotado de maneira temporária, ou seja, até que uma das alas maiores sejam liberadas para que seja feita a transferência do corpo.

A nota diz que, desde que atual administração assumiu o governo, nenhum corpo foi velado na cozinha e quando há casos acima do limite, como em situação de tragédia, a administração faz um remanejamento para ginásios ou igrejas.

"Vale resaltar que existe uma preocupação da atual administração com relação a execução de melhorias no local e há projeto para reforma e ampliação de mais duas salas, troca de telhado e outras obras complementares, porém não há como estimar prazo para o início das obras"

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Adagoberto F. Baptista