Publicado 07 de Setembro de 2015 - 16h41

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Fotos: Jaqueline Harumi

Tem vídeos (mandei para o Whats do Correio)

Cerca de 900 manifestantes da Vila Soma, em Sumaré, conforme estimativa da Polícia Militar, fizeram passeata pelo Grito dos Excluídos ontem de manhã a partir das 9h desde a ocupação até o Centro Esportivo Vereador José Pereira, na Vila Yolanda Costa e Silva, onde acontecia o Desfile Cívico da Independência do Brasil. O trajeto, que foi acompanhado por viaturas da PM, incluiu a passagem pelo Viaduto Comendador Aristides Moranza, pela via da Prefeitura, a Rua Dom Barreto, e pela Avenida Rebouças, com trio elétrico, faixas e batucada.

O desfile cívico começou por volta das 8h e contou com aproximadamente 3 mil espectadores, segundo a Guarda Municipal, sendo que o ingresso dos manifestantes no Centro Esportivo aconteceu por volta das 10h30, quando o desfile já havia acabado. Antes da entrada, os participantes do movimento pediram por microfone a atenção da prefeita Cristina Carrara (PSDB), que é acusada de não dialogar com os ocupantes. O ingresso foi feito através da formação de quatro filas de moradores, que fizeram o próprio desfile, e segundo a GM não houve registro de ocorrências.

Em carta lida pelo advogado Alexandre Mandl, da associação dos moradores da Vila Soma, foi ressaltado que quanto mais o governo corta, mais a população se une e se fortalece. “Na luta de moradia, o que temos visto é reintegrações de posse a serviço da especulação imobiliária e rasgando por terra o direito à moradia, removendo casas de forma indevida e fazendo um verdadeiro terrorismo com as famílias que vivem anos lutando por um teto. Em Sumaré, não é diferente”, diz a mensagem. De acordo com o advogado, a prefeita Cristina Carrara (PSDB) tem adotado o discurso do ódio contra as ocupações. “Em várias ocupações por moradia, comunidades com famílias que vivem a 30 ou 40 anos estão tendo suas casas demolidas. Na Ocupação Vila Soma, com 2,5 mil famílias, a situação é dramática e podemos ter mais uma ação criminosa como foi a reintegração de posse na comunidade Pinheirinhos, em São José dos Campos”, completou.

A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que sempre que a prefeitura é solicitada a dar entrevista a concede, apenas não se pronuncia em momentos de manifestação. Ressaltou que Sumaré possui 76 ocupações em áreas públicas e que atualmente moram de favor ou de aluguel ou em área pública 12 mil pessoas, que estão na fila há mais tempo do que os ocupantes da Soma, os quais têm de entrar na fila por moradia como todo mundo. Ao todo, a Administração Municipal afirma ter regularizado 1,4 mil moradias e ter entregue 2,5 mil unidades habitacionais.

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Jaqueline Harumi Ishikawa