Publicado 07 de Setembro de 2015 - 13h16

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: Lenadro Ferreira vídeos

Gustavo Abdel

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Em comemoração aos 193 anos de Independência do Brasil, famílias e autoridades se reuniram ontem para assistir ao desfile cívico-militar de 7 de Setembro, na Avenida Ruy de Almeida Barbosa - no Complexo Viário Joá Penteado, na Vila Industrial. Segundo a Guarda Municipal (GM), a estimativa foi que 20 mil pessoas acompanharam o desfile, que teve início pontualmente às 8h00. Um pequeno grupo de manifestantes estendeu faixas pedindo a intervenção militar e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas não houve registro de confusão durante o evento.

A solenidade começou com o hasteamento da Bandeira ao som do hino nacional, com a participação da banda de música da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Em seguida foi feita revista das tropas pelas autoridades máximas civil e militar, com o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB) e o comandante da 11ª brigada de Infantaria leve, general de brigada Ricardo Rodrigues Canhaci. O prefeito Jonas Donizette destacou a importância do ato cívico na manhã de ontem, e que o desfile voltará para a Avenida Glicério no ano que vem. A mudança esse ano foi por causa das obras de revitalização que acontecem na principal avenida que atravessa o Centro.

O tempo colaborou e as famílias foram em peso para o local. O aniversariante do dia Alexandre de Souza Florindo, de 39, ganhou de presente a companhia das filhas Melissa (10), Sarah (6) e Maria Luiza (2) para acompanhar os desfiles. “Sempre venho com elas. A gente acredita muito no nosso país, e precisamos prestigiar um evento tão importante para manter viva a cultura de nossa pátria”, disse Florindo, vestindo a camiseta verde-amarela assim com as três filhas. Eles e centenas de famílias acompanharam a partir das 8h30 a marcha de 900 homens do Exército, de diferentes setores. Os militares também levaram para o desfile 48 viaturas, como veículos blindados, ambulâncias e caminhões.

Vestido com o uniforme do Exército, o pequeno Lucas, de 6 anos, acompanhava nos ombros do pai Murilo Santana, de 33 anos. “A tia dele trabalha no Bil (Batalhão de Infantaria Leve) e há cinco anos ele vem vestido”, disse o pai.

Após a apresentação dos militares - que também contou com a participação da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a Academia da Força Aérea, além do segmento feminino do Exército - foi a vez da Polícia Militar (PM) e GM, demonstrando o efetivo e aparatos de combate à criminalidade. A parada teve representantes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Samu, Sanasa, Emdec e Setec. Centenas de integrantes de escolas municipais, estaduais e privadas e entidades da sociedade civil, como igrejas e organizações não governamentais também completaram as apresentações. Ao todo, 28 entidades participaram do desfile.

A circulação de veículos na região do Túnel Joá Penteado precisou ser alterada por causa do desfile. Os bloqueios viários foram feitos desde as 6h. Foram 14 pontos de interdição. Muita gente parou o carro longe para acompanhar o desfile na Avenida Ruy Barbosa. “Parei o carro próximo ao hospital Mário Gatti, e andamos mais de 10 minutos para chegar até aqui. Com filho no colo não é fácil. Deveriam ter colocado estacionamento mais próximo”, reclamou a atendente de telemarketing Rosana Viana Silva, de 42 anos.

RETRANCA: Grito dos excluídos

No momento em que a 21ª edição do Grito dos Excluídos fechava o desfile, o palanque das autoridades foi esvaziado. O orador do desfile anunciou a passagem da última escola a se apresentar e encerrou o evento, enquanto mais de 200 pessoas do Grito vinham logo atrás com faixas, bandeiras e um trio elétrico. Com viés político e cobrando serviços públicos de qualidade, as autoridades preferiram deixar o local ao embate direto com os que estavam protestando. O Grito se define como um conjunto de manifestações realizadas no dia 7 de Setembro tentando chamar à atenção da sociedade para as condições exclusão social na sociedade brasileira. “Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças”, dizem os organizadores.

De cima de um morro, cerca de 10 simpatizantes da intervenção militar vaiavam os manifestantes, que se dividiam entre arquidiocese, sindicatos e outras entidades de classe.

O fotógrafo Gilberto Félix, 41 anos, estava de sósia do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. “Minha forma de protestar é estar assim todos os dias. Temos que fazer a nossa parte, e não adianta ficar em casa”, disse.

A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que a saída do prefeito Jonas Donizette e demais autoridades antes da passado do Grito dos Excluídos já estava programada previamente, pois a agenda delimitava à assistir o desfile cívico-militar. No ano passado as autoridades também deixaram o palanque minutos antes do Grito passar.

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Adagoberto F. Baptista