Publicado 04 de Setembro de 2015 - 20h11

Por Inaê Miranda

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Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O Instituto Padre Haroldo servirá como referência de atendimento para as comunidades terapêuticas de Estado São Paulo, segundo afirmou ontem o Secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, durante visita a Campinas. A Pasta, em parceria com a Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract), vai criar mecanismos para avaliar as entidades e instituições que oferecem o serviço de recuperação do dependente químico, com o objetivo de estabelecer padrões mínimos de atendimento, estrutura e organização.

Ao todo, o Padre Haroldo oferece 206 vagas, sendo 100 delas por meio do Programa Recomeço - Uma Vida Sem Droga. Em todo o Estado são oferecidas 3 mil vagas, por meio do programa – entre camas e leitos de desintoxicação - para tratamento de dependentes químicos, a um custo de aproximadamente R$ 40 milhões. Segundo Pesaro, o Estado tem o objetivo de expandir o programa, mas é preciso vencer duas grandes batalhas e investir na melhoria da gestão dessas comunidades.

De acordo com o secretário, o primeiro desafio é incorporá-las como parte da política pública. “É preciso consolidar uma politica nacional para as comunidades terapêuticas, porque hoje elas estão numa espécie de limbo da política pública. Temos que ajudar, no marco regulatório da saúde mental, a defender a política de comunidades terapêuticas como uma política não só existente, mas também válida para determinados casos”, afirmou.

O segundo desafio, segundo ele, é criar parâmetros de atendimento, de monitoramento e de avaliação. “Tudo bem, eu vou pegar o dinheiro publico e vou financiar uma comunidade, mas eu quero saber qual é a eficiência, a eficacia, quantas pessoas saem, quantas estão dormindo lá, o tamanho. Hoje não existe uma regulamentação ou um parâmetro, uma referência mínima”, explicou. Segundo ele, a ideia é que tendo um padrão de atendimento, a gestão desses serviços melhorem. “Com isso vamos conseguir ter também um melhor gestão sobre os recursos públicos”.

Pesaro elogiou o serviço oferecido no Padre Haroldo e disse que o Instituto servirá de modelo. Ele ressaltou o nível de reinserção social do instituto, que é maior do que a média das comunidades terapêuticas do país. A cada 10 dependentes que entram, sete saem em condição de reinserção social e familiar. “É uma referência nacional de trabalho em comunidade terapêutica. Não é que todo mundo precisa ter a mesma qualidade do Instituo Padre Haroldo. Mas ele passa a ser um referencial para a gente avaliar outras comunidade. A ideia é ter um padrão de atendimento, que é esse top, e identificar outras que tem qualidades fazendo uma régua de referência”, disse.

A visita foi acompanhada da presença do Padre Harold Joseph Rahm, que dá nome ao instituto, do vice-presidente da Febract e presidente do Instituto Padre Haroldo, Luis Roberto Sdoia, e da secretária de Cidadania e Assistência Social, Jane Valente. Questionado sobre a boa avaliação que o Instituto recebeu do governo Estadual, o padre Haroldo afirmou que o mérito é da equipe. “Para mim, é a melhor equipe no mundo. A equipe liderando é o que nos dá o nome. E se meu nome quer dizer alguma coisa é por causa dos funcionários, dos coordenadores e da diretoria também”.

Já Sdoia ressaltou a importância da qualificação das comunidades. “É preciso deixar muito claro o que são comunidades terapêuticas e o que são serviços inescrupulosos que usam o nome de comunidade terapêutica e muitas vezes praticam atos de desrespeito aos direitos humanos e nós refutamos isso veementemente”, acrescentou.

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Inaê Miranda